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Editorial

Choque de realidade no mercado

30/04/2016 às 21:44
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Muitas pessoas perguntam por que bens de alto valor, como veículos e imóveis são tão mais caros no Brasil que em outros países. No caso dos automóveis, a situação parece ainda mais incompreensível, uma vez que se trata do mesmíssimo modelo com diferenças brutais que chegam a 40% em alguns casos.

A alta carga tributária é, geralmente, apontada como principal vilã, e tem mesmo grande parcela de culpa, mas não é, sozinha, a causadora da discrepância.

Como é possível que imóveis com melhor acabamento em cidades como Miami, nos Estados Unidos, sejam mais baratas que imóveis com dimensões similares nas áreas mais nobres de Manaus e outras capitais?

A resposta reside em um fato bem conhecido por corretores de imóveis, gerentes de vendas nas concessionárias e pelos economistas: os preços são tão altos no Brasil porque há quem pague. Trata-de uma lei de mercado. Quem vai limitar o preço é a própria demanda pelo produto. A empresa tentará garantir o melhor preço para assegurar máxima margem de lucro, o mais próximo possível do limite suportado pelo consumidor.

Se de uma hora para outra, as pessoas resolvessem rebelar-se contra os altos preços dos imóveis e de veículos e simplesmente deixassem de comprar, as empresas seriam obrigadas a se adaptar, com reflexos na margem de preços. Ocorre que, no Brasil - talvez pela ausência de educação financeira - é pequena a parcela da população disposta a isso. As pessoas praguejam, colocam a culpa no capitalismo, no PT, no papa, e até conseguem um desconto fictício, uma vez que o lojista também inclui no preço final a margem de negociação para descontos.

Porém, como todos estamos sentindo na pele, a crise econômica segue a todo vapor. As pessoas, menos por consciência financeira do que por necessidade, estão evitando financiamentos de médio e longo prazo. O resultado é que o estoque de imóveis novos, prontos para morar, está criando teias de aranha na capital. As imobiliárias não encontram outra alternativa senão desinflar os preços e trazê-los a um patamar mais realista. O momento é ótimo para acabar com certas maracutaias que só existem por aqui. Uma delas é a “parcela das chaves”, uma absurda prestação intermediária que as empresas obrigam os compradores a pagar. Com o mercado oprimido, não há espaço para essas espertezas.