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Editorial

Chuvas, buracos e bueiros

29/04/2018 às 19:03 - Atualizado em 29/04/2018 às 19:09
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A sequência de chuvas e a falta de estrutura para escoar as águas deixam um rastro de destruição na maioria dos bairros de Manaus. É repetição da história de omissão administrativa que se enraíza no Estado e torna mais difícil a vida na área urbana.

Em Manaus, os buracos abertos e falta de manutenção dos bueiros, e a manutenção da  conduta de lançar os detritos  nas ruas atuam para formar uma situação crítica e de preço alto à própria população. A administração pública ainda não ampliou a coleta seletiva do lixo que poderia ser um dos instrumentos de educação doméstica-ambiental tendo como foco as crianças para que possam, em médio prazo, atuar na defesa de uma postura individual e coletiva mais cuidadosa com os espaços da cidade.

Com inúmeros problemas, desde a falta de pintura dos meios-fios, capinagem de rua e manutenção adequada dos equipamentos públicos, Manaus padece com o efeito das águas que não podem escoar. As famílias relatam os momentos de desespero e outras vivem a tragédia das perdas. Não há novidade nesse cenário. Ele pode ter outros resultados se trabalhos permanentes venham a ser realizados incluindo meios de efetiva participação das comunidades a fim de que juntos possam compreender a importância de prevenir e conservar os espaços de moradia, a destinação do lixo e a manutenção de espaços arborizados.

O acúmulo de problemas não resolvidos explode nos períodos de chuvas mais intensas e são as comunidades mais carentes o alvo dessa exploração. É possível mudar esse quadro, mas para isso faz-se necessário um plano que não seja refém do humor do gestor, que garanta bons níveis da presença ativa dos comunitários da área a ser trabalhada, responsabilizando-os igualmente na manutenção e cuidado com esses espaços. É possível outra condição de vida, livre dos sobressaltos e dos estragos que as chuvas fortes podem produzir em solo onde o escoamento natural das águas é interrompido. Para isso, a coparticipação dos comunitários constitui ingrediente fundamental, caso contrário, iniciativas e esforços quando realizados serão inúteis porque não darão conta do tanto que necessita ser feito e valorizado. Os recursos financeiros investidos escoam no mesmo ritmo das águas e a condição de vida das comunidades em situação de risco permanecerá crítica e sob permanente risco.