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Editorial

Cidade de reféns

15/11/2016 às 21:24
Show rodovi rios

Transporte público de qualidade, eficiente e seguro é parte  fundamental e indispensável da  qualidade de vida em qualquer cidade. É  uma questão de equilíbrio. A lógica é bem simples:  quanto melhor for o transporte urbano, mais pessoas deixarão em casa seus próprios veículos,  desafogando o trânsito,  melhorando a qualidade do ar e aumentando a qualidade de vida como um todo na cidade.

Tão importante quanto a  eficiência, a regularidade e o conforto no transporte público, a segurança também não pode ser negligenciada. É inconcebível entrar no ônibus temendo pela própria segurança sem ter certeza de que se chegará bem ao destino,  ou se o percurso não será interrompido pela violência como aconteceu no último domingo, quando passageiros viveram momentos de terror ao serem vítimas de assaltantes que também mataram o motorista por um motivo banal: ele demorou a abrir a porta do veículo para viabilizar a fuga dos bandidos. A “renda” do crime foi de apenas R$ 55, tudo que havia no caixa da cobradora.

Infelizmente, pouquíssimos usuários do transporte público de Manaus já não passaram pela terrível experiência de ter seus bens roubados dentro de coletivos sob  ameaça de perder a própria vida. O pior é que parece um beco sem saída. O que se pode fazer para aumentar a segurança dentro dos ônibus? É impossível colocar um policial em cada carro. Não há como saber quais as intenções de quem entra no veículo. Somos tomados pela sensação de que somos reféns em uma cidade tomada pela insegurança.

O que fazer? A quem recorrer? Não existe uma resposta pronta e direta. A violência e a insegurança são sintomas de problemas mais complexos. Um deles é a própria crise econômica, que acabou com muitos empregos, acentuando a criminalidade. Outro fator é a educação precária em nossa cidade. Sem educação pública adequada, as escolas não preparam os jovens para lutar no mercado de trabalho ou mesmo para empreender. A falta de perspectivas é um grande estímulo para as práticas criminosas.

Porém, atacar essas questões é algo que não surte efeito da noite para o dia. É preciso planejamento para o desenvolvimento e implementação de políticas públicas adequadas que trarão resultados dentro de médio e longo prazo. E não é algo que possa ser posto sob a responsabilidade de apenas uma esfera de governo: prefeitura, estado ou governo federal. Precisa ser algo que parta do seio da sociedade. Somente assim deixaremos de ser reféns em nossas próprias casas.