Publicidade
Editorial

Cidade e cidadania

20/02/2017 às 22:03
Show ciclismo03

A falta de espaço adequado para o ciclismo não é tema isolado. Junto a esse dado está a precarização do planejamento urbano. Prevalecem iniciativas que desconsideram a dimensão pública da cidade e a disposição de espaços para pedestres e ciclistas por exemplo.

O impacto de formas privatizadas na administração de Manaus faz com que as outras decisões, envolvendo a organização e a reorganização do espaço urbano, sejam colocadas em segundo plano ou ignoradas nos períodos de gestões administrativas. O projeto “Manô Bike” é uma indicação nesse sentido. Caminha lentamente, tem paradas longas e falta informações da prefeitura municipal sobre o que será feito e como. O atraso em matérias dessa natureza tem correspondido ao acumulado daquilo que está na pasta do não realizado.

Cidades que não respeitam o pedestre e nem o ciclista tendem a ser violentas e apresentam um nível de desenvolvimento que não valoriza a pessoa. Lamentavelmente, Manaus está sendo tratada nessa direção. Ruas para carros e mais carros, falta de calçamento adequado e insistência em manter pequenos nichos onde uns poucos moradores dispõem de infraestrutura adequada.

A maior parte da cidade está submetida à violência generalizada, iluminação precária, transporte coletivo ruim, buracos e lixo nas ruas. Os que ousam andar a pé ou insistir no ciclismo lidam com alto grau de risco de morte e muitos morrem. Considerando a forma de administrar a partir do componente político-eleitoral, são poucas as chances dessa e de outras cidades receberem atenção e seus habitantes terem a realização de projetos necessários concretizados. O ano de 2017 é tratado como o período de sondar candidatos, traçar alianças entre grupos políticos, distribuir cargos administrativos e trabalhar em pautas que possam render votos nas eleições de 2018.

É na organização popular e na pressão dos grupos sociais que a cidade pode ganhar a oportunidade de assegurar melhorias. Essa atitude envolve pressionar a Câmara dos Vereadores, as instituições públicas, os setores produtivos e os gestores públicos. Os instrumentos de reivindicação ganharam aliados a partir das possibilidades que a Internet oferece. Será muito difícil obter vitórias sociais se a sociedade não se sentir convocada a agir, a participar.