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Editorial

Cidade largada

24/02/2018 às 16:35
Show editorial domingo

Abandonada nos mais diferentes aspectos, Manaus vive a explosão da violência generalizada, contra mulheres, crianças, jovens, negros, indígenas, idosos. Contra a cidade. Uma viagem rápida nas ruas da capital, do centro à periferia, é suficiente para expor o tanto que Manaus está tomada por buracos, águas servidas, ratos e lixo.

A sensação é que a capinagem nas ruas deixou de ser feita, da mesma forma que a recuperação dos meios-fios, a pintura e reposição de tampas de bueiros também forma postas de lado na maioria dos bairros e da área central. É como se a gestão pública municipal estivesse em longo período de férias, o que se constitui em conduta inaceitável e de completo desrespeito à população manauara.

Existe um número de servidores públicos na condição de gestores que são pagos com verba pública exatamente para cuidar da cidade, reparar o que exige reparos, preparar boas áreas públicas de convivência, realizar mutirões de limpeza e de recuperação de trechos danificados. O descuido é tamanho que moradores estão fantasiando buracos abertos nas ruas com pedaços de paus e panos coloridos para chamar atenção tanto dos motoristas, dos pedestres e dos agentes públicos. Sem êxito até agora quanto a uma resposta dos gestores públicos municipais. Os problemas permanecem e se avolumam.

É vergonhoso ver a cidade entregue a situação de desleixo amplo e assistir a população de ratazanas correndo nas ruas aumentar a cada dia. O cenário ajuda a ampliar a violência porque aumenta os riscos de acidente, incentiva uma conduta de desrespeito e de destruição do espaço público, de apropriação privada desse espaço para montagem de inúmeros negócios, muitos dos quais ilegais.

Esse é o sentimento de moradores dos bairros das zonas Leste, Sul, Centro-Sul e Norte. Nas ruas desses lugares o que se amontoa são os problemas sanitários produzidos pelo efeito em cadeia da falta de manutenção das ruas e das praças, transformadas em depósito de sujeira de toda ordem. Faz tempo que Manaus não sabe o que é ser cuidada,  sentir-se incentivada em ações de arborização, de manutenção das pinturas e dos bens públicos. Só recebe maus-tratos.

Enquanto isso, os que deveriam realizar essas tarefas dedicam tempo e energia para discutir e formalizar acertos para as eleições de 2018. Que o façam, é direito facultado, mas não ignorem a responsabilidade que têm como administradores e legisladores eleitos mediantes compromissos com a população, a cidade e o Estado do Amazonas.