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Editorial

Ciência e a ponte para o futuro

01/04/2018 às 20:06 - Atualizado em 01/04/2018 às 20:07
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A mobilização de pesquisadores e líderes de instituições de pesquisa no País é outra frente em andamento para denunciar o desmantelamento de estruturas estratégicas no desenvolvimento do Brasil. A situação a que estão submetidos instituições e pesquisadores alcança o sinal vermelho de alerta, como afirmam os gestores e trabalhadores dessa área de importância fundamental. A questão é: alertar quem? Os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário estão em batalhas internas e distantes daquilo que deveria compor fundamentalmente suas funções, o bem-estar da sociedade, a defesa dos direitos dos brasileiros e das boas formas de governança.

É no seio da população que deverá brotar as iniciativas de questionamento e de pressão para impedir o desmonte completo da estrutura de pesquisa e inovação tecnológica brasileira. A ideia em torno do compromisso de envolver cada vez mais os jovens estudantes na atividade de pesquisa, de promover espaços e apoio aos professores pesquisadores em diferentes níveis e áreas desapareceu em nome do pragmatismo político da pior espécie. As instituições de pesquisa voltam a conviver com o fantasma da dissolução gradativa de programas e do abandono de projetos, enfim com o encolhimento da cultura cientifica no Brasil.

Entre tantos documentos, discursos e atos, dois deles devem merecer atenção da sociedade organizada e das próprias organizações de produção da ciência. Um é a “Ponte para o Futuro”, divulgado pelo MDB em outubro de 2015, onde a essência das colunas de construção desse futuro é abrir as portas à privatização e estabelecer a determinados grupos de poder econômico e político os espaços para atuar; o outro, a carta do então vice-presidente da República Michel Temer (PMDB) à presidenta do País, Dilma Rousseff. Nela, as relações do vice sobre o papel decorativo que exercia no posto mais que mal-estar escancarava as articulações para o pacto pelo golpe que em 2016 destituiria Dilma do cargo. São peças importantes para leituras atuais, principalmente quando se tem à frente um processo eleitoral. Quais os ingredientes da ponte construída pelo MDB ao futuro do Brasil?

No cargo de comando do País, Michel Temer abriu as portas para uma prática de política escancaradamente de negócios nada republicanos e ajuda a aprofundar a desigualdade entre os brasileiros e do Brasil na relação com outros países.