Sexta-feira, 04 de Dezembro de 2020
Editorial

Ciência e TikTok


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28/10/2020 às 06:29

Cientistas brasileiros e estrangeiros que estão na corrida pela vacina para colocar fim à pandemia do novo coronavírus vão falar sobre suas pesquisas em perfis na rede social TikTok. A iniciativa das Nações Unidas une a “febre” das redes sociais atualmente a uma necessidade cada vez mais evidente de valorização da ciência.

A angústia gerada pela disseminação do vírus ainda sem cura e sem vacina somada ao ritmo das pesquisas (que tem ciclos próprios e quase nunca atendem aos anseios por soluções imediatas cada vez mais comuns na humanidade) tem aberto portas para a atuação de negacionistas. Os que duvidam que a terra é plana acabaram perdendo espaço na mídia, mas em seu lugar entraram outras mirabolantes teorias da conspiração, com adeptos em diversos cantos do mundo.

Até hoje há quem não acredite na chegada do homem à lua (e estamos perto de uma nova fronteira na exploração espacial). Então é “esperado” que se duvide do que não se pode enxergar. Contra essas dúvidas, o melhor remédio é informação. Por isso, é muito bem vinda a iniciativa da ONU, que envolve profissionais de vários países do mundo e de instituições acadêmicas como Universidade de São Paulo, Harvard, Imperial College London e Wits University. 

O objetivo é atualizar e aproximar o público do trabalho que vem sendo realizado na pesquisa pelas vacinas e irá revelar o cotidiano dos cientistas, chamados de “guias”, que trabalham com as pesquisas pelas vacinas. De forma voluntária, eles irão contar suas histórias e postar vídeos que destacam a seriedade e o empenho em conter a pandemia, além de responder perguntas do público e esclarecer sobre boatos e informações incorretas.  Os cientistas pretendem destacar a natureza global do trabalho e reconhecer a contribuição de milhares de pessoas ao redor do mundo.

No Brasil, a iniciativa começa com três guias: os pesquisadores Gustavo Cabral de Miranda e Natalia Pasternak e o biofísico Rômulo Neris. Em comunicado, Natalia Pasternak disse que “a informação científica de qualidade precisa circular nas redes sociais de forma fácil, acessível e didática.”  A especialista contou que “o sentimento antivacinas no Brasil e no mundo está crescendo, e não deve ser subestimado.” Ela disse ainda participar de uma iniciativa global, representando o Brasil, “é uma honra e uma ótima oportunidade para divulgar ciência neste mar de desinformação.”


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