Quarta-feira, 03 de Junho de 2020
Editorial

Colocar a ciência no lugar que ela merece


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01/04/2020 às 08:03

Governos, empresários e a sociedade têm o dever de reconhecer a importância da ciência e da dimensão pública da produção científica. A pandemia Covid-19 revela o quanto é estratégico manter em condições equilibradas a ciência e o conhecimento cientifico que no Brasil tem sido profundamente desqualificado pelo próprio Governo Federal a partir de setores que deveriam fazer a defesa da área, como os ministérios da Educação e da Fazendo e Desenvolvimento.

É pelas mãos dos pesquisadores da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas que neste momento se trabalha uma proposta de pesquisa que poderá ser uma das respostas no combate ao novo coronavirus. Não é um trabalho isolado e fruto do imediatismo, segue o tempo e a dedicação que a pesquisa cientifica exigem e as parcerias com outras instituições nacionais e internacionais de pesquisa.

Um exemplo significativo nessa batalha é o do hidroxicloroquina utilizado no tratamento da malária, doença com alta incidência na Amazônia e, no Amazonas, especificamente, representa a busca determinada de um fármaco para responder com eficiência no enfrentamento da endemia malárica. São anos de pesquisa e testes até a obtenção de respostas favoráveis nesse tratamento e que, agora, diante de nova pandemia, representa a esperança de outra resposta, à Covid-19.

O conhecimento anda, avança e, quando usado para o bem público avança mais ainda. É em meio ao cenário caótico provocado pelo novo vírus que setores deixados de lado entre as prioridades governamentais são acionados e deles aguarda-se a melhor atitude diante das crises criadas. Médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, pesquisadores estão à frente, na maioria dos países, construindo, revisando, inovando protocolos para lidar com um vírus desconhecido. Os protocolos, de modo geral, estão dando certo tanto no sentido de evitar o colapso do sistema de atendimento às pessoas com suspeitas de contaminação e as contaminadas pelo novo coronavirus quanto na redução do número de mortos. Em várias cidades, as condições reais do aparato da atenção médica são precárias e obrigam esses profissionais a jornadas dobradas nem sempre com os equipamentos de prevenção individual (EPIs) numericamente disponíveis.

O quadro atual é de urgência e necessita da imensa solidariedade entre esses e outros profissionais, as organizações da sociedade e cada pessoa. Não encerra nele o recado que o novo vírus deixa, o investimento na ciência e na qualificação profissional não pode ser postergado.


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