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Editorial

Combate à corrupção na PF

12/02/2019 às 07:50
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Dos 2,5 mil inquéritos em andamento no âmbito da Polícia Federal no Amazonas, 25% se referem a desvio de recursos públicos com indícios de corrupção. É este um dos grandes males do País, uma trava ao desenvolvimento que, de tão corriqueiro, já nem choca ou surpreende.

A atuação da polícia, necessária e fundamental no combate à corrupção, ataca o estágio final do crime, quando o desvio já aconteceu, havendo a necessidade de identificar os culpados e encaminhar o processo ao Ministério Público para as providências adequadas, cabendo à Justiça punir os criminosos e promover o ressarcimento dos recursos desviados. Essa ação é indispensável para que a impunidade não prevaleça. 

A sociedade precisa perceber que corrupção acaba em cadeia. E esse é um grande desafio, pois em meio a tantos casos todos os dias no noticiário, a tendência é de “banalização” do crime, principalmente do relacionado a empresários e políticos. As pessoas começam a ver como normal o envolvimento desses personagens, enfraquecem a capacidade de se indignar quando os suspeitos deixam a prisão após pagar fiança irrisória diante do montante desviado, utilizando garantias estabelecidas pela lei, mas apenas acessadas por aqueles que podem pagar advogados habilidosos. 

O endurecimento dos trâmites e das penas para os crimes de corrupção são passos importantes que já foram sinalizados pelo Ministério da Justiça. Mas o combate a esse tipo de crime precisa acontecer também em outras frentes: a burocracia precisa ser mais eficiente, reduzindo as brechas e “oportunidades” para a ação dos corruptos. 

Basta lembrar o esquema criminoso que estava instalado no sistema público de saúde e desbaratado a partir da operação Maus Caminhos. O pior é saber que o esquema era tão complexo e emaranhado, resultado de muitos anos de atuação, que até hoje não se chegou à sua real extensão. O esquema descoberto pela Maus Caminhos é apenas a ponta de uma trama muito mais ampla. O superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Alexandre Saraiva, acerta ao afirmar que sociedade de hoje não admite mais o desvio de recursos públicos, penalizando principalmente a população mais pobre, como todos os que foram a ainda são prejudicados pelos crimes no sistema de saúde.