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Editorial

Combate à extrema pobreza

06/12/2018 às 07:12
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Viver um mês inteiro com uma renda inferior a R$ 150. Essa é a realidade de mais de 15 milhões de brasileiros, segundo dados do IBGE. Em apenas um ano, o número de pessoas na faixa de extrema pobreza no Brasil aumentou de 6,6% da população para 7,4% em 2017. Isso significa o empobrecimento de quase dois milhões de pessoas. Já são mais de 7% da população sem a menor condição de se alimentar, morar, vestir... viver com dignidade. O avanço da extrema pobreza deve estar no radar do governo, em suas diferentes esferas, a quem cabe desenvolver políticas públicas adequadas para amparar essa fatia tão expressiva do povo. O aumento da pobreza aconteceu em todas as regiões, exceto no Norte, onde houve estabilidade, e onde boa parte da população já vive no limite.

O empobrecimento também acentua as condições precárias de vida. O mesmo estudo do IBGE revela que aumentou o número de pessoas sem acesso a água tratada ou coleta de esgoto. Nesse contexto, não se trata de adotar posturas de direita, de esquerda ou de centro. Trata-se de uma questão de cunho humanitário. Reverter essa situação é um dos desafios do governo federal e dos governos estaduais que iniciarão novas gestões a partir de 2019.

Isso ainda é, em parte, resultado da crise econômica que se abateu sobre o mundo há quase uma década e que atingiu de forma mais severa países emergentes como o Brasil. Toda a população sente os efeitos da esfriamento econômico, mas é a parcela mais pobre a mais atingida e que precisa ser o foco das ações governamentais. Os dados do IBGE mostram que, de 2014 para 2016, o desemprego praticamente dobrou, subindo de 6,9% para 12,5%. É um fato de que a reforma trabalhista promovida pelo governo de Michel Temer não resultou na geração de mais empregos, embora tenha precarizado as relações de trabalho. Causa preocupação as indicações do futuro governo federal no sentido de flexibilizar ainda mais essas relações em um cenário de empobrecimento populacional.

A atuação do poder público na superação do cenário negativo será fundamental. Além do desenvolvimento de programas assistenciais, é preciso facilitar o acesso ao trabalho sem precarização de relações ao mesmo tempo em que medidas são implementadas para dinamizar a economia.