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Editorial

Combate à violência

05/06/2018 às 21:13 - Atualizado em 05/06/2018 às 21:45
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O Anuário da Violência 2018, divulgado ontem, traduz em números algo que já se percebe no dia a dia há muito tempo: a violência está avançando a passos largos no País, principalmente nas regiões mais pobres. Segundo o documento, a taxa de homicídios no Brasil já é 30 vezes maior que a da Europa. O maior número de mortes ocorre nas regiões Norte e Nordeste; as principais vítimas: homens jovens e negros. Também cresceu muito o uso de armas de fogo nos assassinatos. Há 30 anos, correspondiam a 40% dos crimes; hoje, esse tipo de arma é usado em mais de 70% dos casos. 

Os resultados do Anuário não trazem nenhuma surpresa, mas reforçam uma constatação: o Brasil precisa urgentemente desenvolver políticas públicas sérias e efetivas contra a violência. 

Mas combater a violência não é tarefa fácil. Não basta combater a criminalidade em si, mas reconhecê-la como sintoma da falta de oportunidades, de trabalho, de educação e de condições dignas de vida. Uma melhora real nos índices de violência só virá quando o País reduzir o desemprego, melhorar a quantidade e qualidade das escolas e conseguir oferecer condições minimamente adequadas de vida à população.

Não é a toa que haja maior incidência de homicídios nos Estados das regiões Norte e Nordeste. São exatamente essas as regiões mais pobres do Brasil. São Estados que precisam de um olhar especial, não apenas no combate à violência, mas no desenvolvimento socioeconômico.

A escalada da violência mostra que algo vai muito mal no planejamento dos governos, algo que precisa mudar o quanto antes. A sociedade precisa participar das decisões nesse sentido. É uma pena que tanto tempo e energia ainda sejam gastos em debates sobre liberação do porte de armas para a população no momento em que são divulgados números tão preocupantes. E mais lamentável ainda é perceber que uma parcela significativa da população de fato acredita que mais armas podem resultar em menos violência, uma lógica absurda que não pode prevalecer. 

A escalada da violência e o desespero que isso causa ajudam a fortalecer as posturas radicais. A população que se sente cada vez mais refém em suas próprias casas precisa de uma resposta. E se ela não vem, o ambiente torna-se propício às soluções extremistas que podem acentuar ainda mais o problema.