Quinta-feira, 05 de Dezembro de 2019
Editorial

Combate ao desmatamento


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19/11/2019 às 07:39

Desmatamento é um problema de gravidade extrema que precisa ser combatido de forma sistemática e firme. Reconhecer isso não significa ser um “ambientalista radical”, basta ter um pouco de bom senso. A natureza preservada, com seus rios, florestas e biodiversidade, é o ativo mais valioso da Amazônia. Quase dez mil quilômetros quadrados dessa riqueza foram destruídos entre agosto de 2018 e julho de 2019. É imperativo identificar as causas desse avanço e tomar medidas adequadas para contê-lo.

Esse cenário precisa ser revertido com políticas públicas, mas atitudes práticas também podem ter efeitos de impacto significativo. É necessário que o governo ajuste o discurso oficial, abordando o assunto de forma técnica e abrindo o diálogo com especialistas. Do contrário, o que fica para a sociedade – incluindo a comunidade internacional - é uma atitude permissiva e até mesmo favorável  à derrubada da floresta, uma postura oficial que encoraja grupos que têm interesse em desmatar, seja para exploração ilegal de madeira, seja para expansão da agricultura e da pecuária.

Infelizmente, o clima político no Brasil está em tal situação que os cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) preferiram não assinar o estudo que comprova o aumento do desmatamento em 30% neste ano por medo de represálias por parte do governo. E tomam essa atitude com base no que aconteceu com o cientista Ricardo Galvão, exonerado da direção do Inpe após divulgar dados a respeito do desmatamento.  

É um avanço ver o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ponderando que a devastação é causada por atividades econômicas ilegais, o que é sabido desde 2012, e reconhecendo a urgência em adotar estratégias de enfrentamento. Resta saber que medidas serão tomadas para combater tais atividades. O aumento verificado neste ano é muito expressivo, o maior salto no desmatamento visto nos últimos oito anos. O que favorece esses resultados negativos? É fato que tem havido afrouxamento na fiscalização e enfraquecimento dos órgãos ambientais. Não há como reverter os números do desmatamento e das queimadas sem fortalecer instituições como Ibama e ICMbio, dentro de uma política ambiental coesa em parceria com os estados. É possível explorar a Amazônia racionalmente, mas o primeiro passo para isso é combater com êxito a ilegalidade.

 
 


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