Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2021
Editorial

Combate ao preconceito


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01/12/2020 às 08:45

Apesar dos relatórios do Ministério da Saúde indicarem que a Aids está sob controle no Brasil, mais de 38 milhões de pessoas em todo o mundo ainda vivem com o vírus HIV. Só no Brasil, as estimativas indicam pelo menos 886 mil pessoas. Desde o início da década de 1980, quando foram registradas as primeiras infecções, passando pelo pico da epidemia em 1997 – quando houve 2,8 milhões de casos -, o mundo alcançou avanços significativos com o desenvolvimento de medicamentos antirretrovirais e terapias que asseguram qualidade de vida às pessoas vivendo com HIV/ADS. Mas a luta contra a doença que ainda mata centenas de milhares de pessoas no mundo todos os anos continua. Só no Amazonas, 229 pessoas morreram em decorrência do HIV de janeiro a outubro deste ano, segundo dados do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM).

Um dos desafios é superar o preconceito e falta de informação que ainda imperam sobre o assunto. Preconceito e desinformação levam a estigmas que atormentam a vida das pessoas vivendo com HIV/ADS, prejudicando a continuidade do tratamento e, por conseguinte, o enfrentamento da doença. É muito triste que doentes abandonem o tratamento por medo de exposição e constrangimento. Mais triste ainda é constatar que esse medo se justifica. Infelizmente, há casos em que a sorologia é divulgada – frequentemente pelos próprios profissionais de saúde – sem o consentimento do paciente.

As pessoas vivendo com HIV/ADS temem a discriminação no mercado de trabalho, nas relações sociais e até mesmo na própria família. Há até um “Índice de Estigma”, elaborado pelo Unaids, programa das Nações Unidas para combate à Aids, que mede a frequência de situações assim. Manaus participou do último estudo, com dados coletados no ano passado. O preconceito dentro da família foi relatado por 42% dos entrevistados na capital, sendo que isso não fica restrito a comentários maldosos, mais inclui casos que chegaram a agressões físicas e verbais.

Com muitos anos de pesquisa, ainda não foi possível curar a Aids, mas conseguimos controlá-la e reduzir a mortalidade de maneira bastante significativa. Muito mais difícil é curar o preconceito e falta de empatia que ainda estão muito presentes em todos os lugares.


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