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Editorial

Comércio ambulante, novos desafios

26/03/2018 às 21:07
Show show galeria

A proposta formulada e executada pelo governo municipal para organizar o comércio de rua em Manaus enfrenta sérios problemas e está longe de ser solução. Tornou-se mais um obstáculo ampliado na organização da cidade. As galerias populares não funcionam na perspectiva do projeto anunciado, os vendedores ambulantes estão em número cada vez maior nas ruas em busca de compradores de seus produtos; empurram os carrinhos, carregam os pacotes de caixas e sacolas em movimentos frenéticos para fechar vendas.

Nesse momento, algumas propostas aparecem como indicadores que poderiam vier a minimizar o problema provocado pelo comércio ambulante quando não organizado e das próprias unidades construídas ou adaptadas para funcionar como central de vendas populares. Na Câmara Municipal, projeto de autoria do vereador Marco Antonio Chico Preto propõe isenção de ICMS aos permissionários como medida capaz de recuperar a função das galerias. O vereador Raulzinho defende a criação de um roteiro turístico dessas galerias com divulgação por empresas de táxis para atrair a atenção dos consumidores (moradores da cidade e visitantes).

Os debates sobre o comércio ambulante em Manaus, a finalidade e funcionalidade das galerias, o posicionamento da organização representativa dos vendedores e dos gestores públicos são necessários. A Câmara Municipal é um dos lugares para esse tipo de discussão e de apresentação das propostas, que faça acontecer e, espera-se, daí nasçam iniciativas bem negociadas que contemplem o direito dos vendedores ambulantes em ter um espaço dinâmico para realizar suas atividades, dos pedestres e motoristas que circulam na parte central de Manaus, e da cidade quanto aos cuidados que merece receber, a segurança e o acionamento de culturas que tradicionalmente o comércio popular envolve.

O fator eleitoral pode ser um contaminador do processo de debate e tomada de decisão. O desafio é evitar que isso ocorra partidarizando os debates e o manejo dos vendedores ambulantes. A questão é mais ampla e diz respeito ao caráter de política pública a ser desenvolvida nesse setor na cidade. Manaus tem condições de abrigar centrais de vendas populares que mobilizem compradores e visitantes interessados em conhecer. Para isso, é necessário desarmar os debates, conhecer os dados relativos a vida dos ambulantes, os fatores que os empurram para fora das galerias, as razões do aumento do número de vendedores de rua na atualidade, e formalizar saídas coletivas.