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Editorial

Comunidades precarizadas

08/05/2016 às 22:35
Show bairro

As operações anunciadas sobre obras de recuperação dos bairros de Manaus estão gerando irritações cada vez mais intensas aos moradores. Entre os anúncios e a realidade sobram problemas de todas as ordens. Multiplicam-se as manifestações de comunidades pela precariedade em que se encontram os lugares onde moram e neles os sinais de deterioração das condições básicas de um bairro estão por todas as partes.

Falta de meio fio, acúmulo de poças águas servidas, de mato e de buracos fazem a composição da realidade da maioria dos bairros. Aos moradores aliam-se os motoristas de taxi que estão sendo obrigados a dar volta para encontrar um caminho possível de ser percorrido para alcançar o endereço do cliente. Para chamar atenção, como ironia ou revolta, grupos de moradores estão colocando nos buracos abertas nas ruas pedaços de paus em ponto alto, caixas ou outros “indicadores” da situação. Até agora, a prefeitura, por meio das secretarias/departamentos responsáveis por essas obras não se sentiu convocada a responder e corrigir os problemas.

A sensação denunciada por moradores é de abandono por parte do poder público. E nela está uma pergunta: o que a Prefeitura de Manaus está fazendo efetivamente para recuperar os bairros da cidade? Uma série de serviços que integram e são de importância enorme à dinâmica dessas comunidades vem sendo profundamente prejudicada pela precariedade crescente dos equipamentos desses lugares. Uma rede de serviços que funciona nesses bairros está sendo impedida de atuar e, em alguns subsetores está sedo paralisada porque mantê-la, nessa condição, exige investimentos cada vez mais altos na medida em que o volume da demanda cai. Corrida de taxi, entregadores de alimentos, água, gás de cozinha reagem negativamente quando chamados a cobrir esses percursos de risco para fazer as entregas.

Algumas situações são inexplicáveis, como aquelas em que ocorrem as operações de limpeza nos bairros, com retirada dos lixos e não se completam com os demais serviços que deveriam ser realizados para, de fato, o bairro aparecer na lista de ações realizadas completamente. Essas operações, se pensadas em outra perspectiva, poderiam ser um momento de maior proximidade com as comunidades e de co-responsabilidade dos comunitários na manutenção dos reparos feitos. A maioria dos bairros tem associações de moradores que costumam ser acionadas para participar de campanhas político-partidárias, que o sejam para transformar, positivamente, esses lugares, melhorando a vida das pessoas.