Domingo, 25 de Agosto de 2019
Editorial

Conflito nas ruas


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13/08/2019 às 08:13

A questão envolvendo os flanelinhas, não apenas no Centro, mas em todo a cidade, é muito mais complexa do que parece. Por isso mesmo não pode ser abordada de forma simplista já que não existem soluções fáceis. É preciso garantir a segurança do cidadão que trabalha no Centro e precisa estacionar seu veículo todos os dias com segurança. A situação mostra que o sistema Zona Azul, implantado há pouco tempo pela Prefeitura de Manaus, não dimensionou corretamente a questão dos flanelinhas. A promessa era que eles seriam capacitados para atuar no novo sistema. Mas não foi o que aconteceu; eles acabaram empurrados para as ruas onde o sistema não vigora.

A disputa por espaço tornou-se mais intensa e o clima de agressividade se instalou entre os guardadores de carros e motoristas. Em alguns trechos do centro, os flanelinhas cobram R$ 5 para permitir que alguém mantenha seu carro estacionado o dia inteiro na rua, outra opção é pagar mensalidade de R$ 60. Não há lei que obrigue ninguém a pagar pelos “serviços” dos flanelinhas, mas os motoristas são ameaçados e intimidados, não tendo outra opção a não ser aceitar as condições impostas, sob pena de ter o veículo danificado. Um absurdo. 

É verdade que os excessos não são regra, mas tristes exceções entre os guardadores, que precisam ser combatidas. Por outro lado, é preciso olhar o guardador de carro de forma humanizada: trata-se de alguém que está buscando, ainda que de forma precária, assegurar uma renda mínima para garantir o próprio sustento e da família.

Não adianta proibir a atuação dos guardadores. Seria uma medida inócua. Os lavadores de parabrisas, por exemplo, foram proibidos pelo poder público, ainda assim podem ser vistos atuando livremente em toda a cidade. Uma alternativa viável é identificar as pessoas que exercem essas atividades, permitir seu trabalho mediante regras bem claras, e oferecer capacitação para que, eventualmente, saiam do trabalho precário. É preciso buscar formas adequadas de lidar com essa questão, sobretudo em tempos de economia em marcha lenta, com risco de recessão, o que empurra cada vez mais pessoas para atividades como a dos flanelinhas. E isso precisa ser feito com certa urgência, antes que o bate-boca, cada vez mais frequente entre motoristas e guardadores, se transforme em agressões físicas ou coisa pior.


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