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Editorial

Confrontos indevidos

20/09/2017 às 22:20
Show gilmar

As instituições democrática brasileiras estão vivendo uma fase terrível e com poucas possibilidades de saída em face do acirramento de ânimos generalizado, o que abre espaço para radicalismos e soluções extra-legais. Não é bom para o País quando as mais altas autoridades entram em conflitos pessoais que só confundem a população, ansiosa por soluções pacificadoras.

Neste sentido, o Poder Judiciário tem sido demandando a ofertar essa solução e, por várias vezes, tem faltado com Nação, como no passado disse o grande brasileiro Rui Barbosa, que do Judiciário entendia bastante.

Senão vejamos: o que é a retórica do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, também presidente do

 Tribunal Superior Eleitoral, contra o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot? Mendes, ontem, na análise que o STF fazia sobre a conveniência ou não de enviar a segunda denúncia proposta por Janot contra o presidente Michel Temer, lançou uma série de impropérios e ironias contra Janot, num claro discurso político típico de uma Câmara Federal ou de um Senado, mas certamente inapropriado na hora de uma decisão colegiada da corte suprema.

Se no Planalto ocorrem coisas deste tipo, na planície amazônica o mercado livre das autoridades constituídas também oferece espetáculos de péssimo gosto aos eleitores. Tome-se a decisão da mesa diretora da Assembleia Legislativa do Estado de remarcar a posse do novo governador Amazonino Mendes. Foi uma decisão controversa, que alguns deputados sequer desconfiavam como foi tomada. Vice-governador eleitor, o deputado Bosco Saraiva cobrou a ata da reunião da mesa diretora que decidiu alongar o espaço tempora entre a diplomação, que ocorrerá no dia 2 de outubro, e a posse efetiva, chegando a dizer que, se existir, essa ata foi certamente forjada.

Enquanto essas autoridades se entregam a um jogo baixo e de caráter quase que personalíssimo, a população assiste estupefata estes confrontos e, desapontada, chega a duvidar das qualidades de uma vida no Estado Democrático e de Direito, dando vez e razão, na verdade desrazão, a vozes obscuras emitidas por militares saudosos de um tempo no qual mandavam e desmandavam silenciando o povo e construindo um Estado ditatorial que lançou o País no seu mais negro período histórico.