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Editorial

Consciência Negra

19/11/2017 às 21:29 - Atualizado em 19/11/2017 às 21:37
Show negra 123

O Brasil é um dos países do mundo cuja população tem por característica principal a forte miscigenação, fruto do encontro inicial de três raças - os indígenas nativos, o branco europeu e os negros africanos -, e posteriormente de tantas outras que para cá vieram em busca de trabalhar e construir vidas felizes aproveitando as nossas amplas possibilidade. Por conta disso é admirável ainda presenciarmos constantemente casos de racismo explícitos no noticiário e que justificam termos em nosso calendário um dia dedicado a Consciência Negra.

Em tempos recentes houve até quem tenha escrito um livro para dizer que não há racismo no País, embora ele esteja presente em todos os cantos, vide o caso do jornalista flagrado, entre risos, atribuindo a um negro uma manifestação claramente deseducada. Não custa lembrar também o caso do deputado, virtual candidato a presidência, que citou o peso de um negro usando grandeza usada para medir peso de gado (arroba). Embora muitos relativizem estes exemplos e os vejam como manifestações jocosas antes de racistas, a verdade é que a libertação dos escravos pela princesa Isabel de Orleans e Bragança não se completou.

Para fecharmos este ciclo de quase 400 anos de nossa infeliz história é preciso retomar o serviço da princesa e democratizar as oportunidades, criando políticas que possam reduzir as desigualdades acelerando o acesso dos negros a educação, saúde e emprego.

Além dos exemplos, os números também traduzem a brutal falta de oportunidades dos negros, que ficam ainda mais expostos ao racismo nosso de cada dia. Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 64% dos atuais desocupados brasileiros são negros, ao passo que 83,3% da população carcerária também é negra.

Ou seja, há uma clara relação de causa e consequência nestes números, que precisam rapidamente ser modificados. Os negros dão uma contribuição fundamental para a formação da brasilidade em vários campos, como a gastronomia, os esportes, as artes, mas estão alijados das melhores carreiras, do Judiciário, por exemplo, dos parlamentos, dos centros de decisões, onde também poderiam ajudar sobremaneira.

Neste sentido, um dia dedicado a reflexão sobre a situação deles em nosso País é mais do que necessário, é fundamental para nossa tomada de consciência, de consciência mais do que negra, consciência brasileira.