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Editorial

Conselhos comunitários inanimados

04/04/2017 às 21:54 - Atualizado em 04/04/2017 às 21:55
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Os conselhos como instâncias de participação pública são espaços privilegiados para ouvir, confrontar posições e adotar caminhos mais consensuais sem perder de vista o interesse público. Para esse fim foram institucionalizados. Infelizmente, o que se constata é a degradação dessa representatividade e o manejo dela para fins mais particulares enquanto os setores que deveriam receber a atenção total dos conselheiros  tendem a ser ignorados.

As discussões feitas na 1ª Reunião dos Integrantes do Conselho Comunitário de Segurança Pública devem ser amplamente expostas bem como as deliberações. Um primeiro dado mostra que a voz dos conselhos comunitários de Segurança Pública não está sendo ouvida. Somente esse aspecto já mereceria atenção para saber o porquê do silenciamento e quais caminhos precisam ser feitos para a audiência acontecer de forma natural e respeitosa.

A gravidade da falta de segurança exige mudar comportamentos e promover diálogos permanentes, somar esforços e acentuar qualificadamente a função de um conselho comunitário de segurança pública. A reestruturação dos conselhos, como propõe o secretário estadual de Segurança Pública, Sérgio Fontes, poderá ser um sinal de ânimo e revitalização dessa instância. Para isso, reestruturar envolve determinação política a fim de devolver ao conselho, e de forma mais geral, a todos os conselhos comunitários, a noção de organismo vivo, ativo, atento e disposto a agir. 

A composição de conselhos comunitários envolve recursos públicos e está marcada pela percepção de que tais espaços podem, na melhor expressão da democracia, contribuir na resolução de problemas que envolvem a sociedade. Por meio dos conselhos é possível inovar e avançar na prestação dos serviços, superar exclusões danosas e incluir  efetivamente os que ficaram à margem propiciando arranjos criativos que serão melhores quanto mais assegurem as vozes mantidas historicamente silenciadas.

Na segurança pública é urgente fazer o reencontro e compreender a necessidade de postura proativa. O cenário de violência ocupa todos os espaços e atormenta as populações vítimas diárias da insegurança, do medo e do terror como elementos de companhia diária da maioria das pessoas. Um passo importante, no caso do Conselho Comunitário de Segurança Pública, está dado: ouvir as partes, reunir elementos dessas falas e reconhecer os problemas existentes. Que seja dado o passo seguinte.