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Editorial

Consumidor encurralado

25/01/2018 às 22:36
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A série de reajustes nos preços de serviços públicos e nos de produtos de uso continuo pela população provocam preocupação nas famílias mais pobres. Em meio a discussão de aumento da tarifa de ônibus, os moradores de Manaus já enfrentam a alta no preço do gás de cozinha que vai de R$ 70 a R$ 100 na Região Metropolitana e avança  no valor  em outros municípios mais distantes.

As despesas com água, luz elétrica, gás de cozinha, produtos alimentícios já engolem mais da metade do rendimento de famílias em situação de carência, onde uma pessoa subempregada responde pelos gastos totais. Naqueles núcleos familiares em que há pessoas que necessitam de remédios diários, como hipertensos, a situação é crítica. Os dirigentes que adotam e ou permitem os atuais parâmetros para os porcentuais de reajustes desses serviços e produtos ignoram a realidade na maioria das cidades do Norte e do Nordeste brasileiros, festejam a redução da taxa de inflação cujo efeito na vida dos trabalhadores e dos grupos familiares não aparece, e deixam o mercado agir livremente como se todos os brasileiros estivessem em um mesmo patamar socioeconômico de estabilidade.

A disparidade nesses preços produz sentimento de impotência, doença e infelicidade àquelas pessoas que contam somente com o salário recebido no final do mês para arcar com as contas de serviços básicos. Nesse bloco estão tarifas de água, de energia elétrica, gás de cozinha e transporte público que têm peso enorme. Há quatro dias, um trabalhador atônito com o preço da botija de gás disse que se não houve mudança a família dele teria que voltar a usar fogareiro porque não têm como bancar o preço do GLP. O carvão também está nas alturas.

O que estão fazendo legisladores e gestores públicos do Amazonas, os órgãos de fiscalização para segurar as tarifas em valores menos injustos para com a maioria da população na cidade e nos demais municípios amazonenses onde esses já são cotados muito acima? O olhar mais atento irá constatar outra forma de exploração oficializada das pessoas. O sentimento daqueles que hoje não tem como quitar as contas e pagar a próxima botija de gás é de desespero. Talvez, gestores públicos e legisladores, habituados a privilégios, não saibam o valor dessas contas e não demonstram interesse em conhecer e pesar sobre o dia a dia das famílias.