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Editorial

Contra o extermínio de jovens

24/11/2016 às 20:49
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O aumento em mais de 100% no número de mortes violentas de jovens com idades entre 15 e 24 anos no Amazonas, no intervalo de apenas dez anos, é algo, no mínimo, assustador. Os números da pesquisa “Estatísticas do Registro Civil 2015”, divulgada ontem pelo IBGE, revelam que nunca morreram tantos jovens no Amazonas como nos últimos anos. Por “morte violenta”, entendem-se os óbitos causados por acidentes de trânsito, afogamentos, suicídios, homicídios e quedas acidentais.

Chama ainda mais atenção o fato de que o crescimento no número de óbitos é maior entre as mulheres. Em 10 anos, o estado do Amazonas registrou aumento de 171,4% nos óbitos violentos de mulheres e de 128,7% entre homens. Já mo município de Manaus, o IBGE apurou aumento de 113% nos  óbitos violentos de mulheres e de 99% entre os homens.

Os dados são preocupantes e exigem análise aprofundada para que se identifiquem as razões para a escalada da violência que tem vitimado jovens amazonenses, sobretudo mulheres.

Com alta de 171,4%, o Amazonas lidera o crescimento de óbitos violentos de mulheres. E lidera com folga, bem à frente do estado de Sergipe, que aparece em seguida com aumento de 85,7% no número de casos. Um triste resultado para o Estado. A mortalidade de jovens, segundo o IBGE, cresceu mais nos Estados do Norte e Nordeste. Especialistas apontam o aumento da criminalidade de forma geral e o fato de as mulheres apresentarem maior vulnerabilidade aos atos de violência. Aí está um fato que precisa ser levado em conta pelo poder público na elaboração de políticas de enfrentamento da violência, especialmente no que diz respeito às mulheres.

Que fatores contribuem para essa escalada entre os jovens? O que pode ser feito para reverter esse cenário? Como construir um ambiente mais seguro para todos? Não há respostas prontas, apenas a certeza de que algo precisa ser feito com máxima urgência.

Só em 2015, 458 jovens amazonenses perderam a vida de forma violenta, sendo 269 só em Manaus. Não se trata apenas de políticas públicas. As famílias, igrejas, a sociedade como um todo precisa arregaçar as mangas e buscar alternativas diante de um problema que não pode ser solucionado sem união.