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Editorial

Controles reforçados

16/12/2017 às 18:28 - Atualizado em 16/12/2017 às 18:35
Show corrruption

O constituinte brasileiro, no já longínquo ano de 1988, foi bastante sábio ao prever o fortalecimento dos órgãos de controle do Estado com vistas a regular e fiscalizar o uso racional dos recursos do erário, aquele montante formado pela suada contribuição de cada um de nós, brasileiros, sejamos ricos, pobres ou remediados.

O passar dos anos, contudo, mostra que o fortalecimento inicial de órgãos como os ministérios públicos, polícias reguladoras, cortes de contas já não é o bastante para conter a ousadia de homens que entram na vida pública para dela se servir, roubar e enriquecer a custa da coletividade.

 A CRÍTICA mostra hoje que a corrupção dos gestores e a falta de condições - e mesmo a ineficiência - dos  órgãos de controle facilitou a vida de verdadeiras organizações criminosas desbaratadas pelas operações da Polícia Federal, especialmente as levadas a cabo no setor de saúde do  Amazonas, a Maus Caminhos e a Custo Político. Na primeira a conta do desvio chegou a R$ 110 milhões surrupiados de hospitais, UBS e salário de médicos que poderiam salvar vidas postas em perigo por um tipo estranho de doença. A Custo Político colocou na  cadeira cinco ex-secretários que são acusados de receberam R$ 20 milhões em propina, um valor suficiente para abastecer muitas e importantes farmácias populares. Ressalte-se que essas operações são importantes, mas chegam atrasada. Elas funcionam a posteriori ao crime e, nesse sentido, só podem trazer a punição dos envolvidos. As vidas ceifadas pela falta de estrutura do sistema de saúde não podem mais ser resgatadas.

O modelo ideal, cuja origem está na ideia constituinte, prevê a prevenção. Agir antes do roubo, do crime acontecer, é o que vai mudar este quadro. Mas para chegar ao melhor cenário será preciso rever as práticas ineficientes dos órgãos de controle e o modus operandi de seus integrantes.

De outro modo também é importante reforçar as estruturas, tanto físicas quanto de recursos humanos, pois o trabalho deles é gigantesco e envolve uma grande quantidade de gente trabalhando para sofisticar o crime, escapando assim dos olhos vigilantes.

Se tudo isso ocorrer, a corrupção vai acabar? Certamente que não, mas vai diminuir significativamente em função do medo que imporá aos maus homens públicos.