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Editorial

Corrida por votos

16/08/2016 às 22:41
Show urna1

Começou, oficialmente, a disputa eleitoral pela Prefeitura de Manaus e por vagas na Câmara Municipal. Um período em que todos são amigos do povo. Pessoas nunca antes vistas na periferia não se incomodam com o sol forte, e com o desconforto das ruas. Apertam as mãos dos peixeiros, beijam crianças e distribuem sorrisos ao lado dos idosos. É um show de simpatia com um elemento a mais: nessas eleições, a campanha será mais curta - apenas 45 dias -, o que obriga os candidatos a, literalmente, correr.

E não apenas isso. Com a proibição do financiamento privado de campanhas, os orçamentos ficaram apertados. Não há espaço para as antigas campanhas suntuosas, quando os showmícios ainda eram permitidos, e havia dinheiro e tempo para promoção de grandes eventos. 

A situação, hoje, é diferente. Com o cenário atual, os candidatos não têm outra alternativa a não ser partir para o corpo a corpo logo nas primeiras horas da campanha. Será preciso um preparo olímpico para fazer a campanha “olho no olho” do tipo iniciado ontem na capital. Por outro lado, espera-se que, com o menor volume de recursos circulando - seja por força da lei, seja por efeito da crise que também atingiu os antigos financiadores de políticos - a campanha também seja mais limpa, direta e honesta, dando ao eleitor a oportunidade de avaliar um candidato menos “fabricado” pelos marqueteiros. Cabe ao eleitorado tirar proveito dessa oportunidade. A cada eleição, nossa jovem democracia torna-se mais madura, com a experiência acumulada ao longo das décadas. Espera-se que o eleitor, mais experimentado, esteja menos disposto a ouvir propostas inexequíveis ou com claras intenções meramente eleitoreiras. Com a onda de corrupção desnudada pela Operação Lava Jato, o eleitor também está mais intolerante com as velhas práticas, com os “fichas sujas” com os que abusam do poder econômico. Teremos uma campanha com características inéditas para eleitores tomados pelo inconformismo, sofrendo com os efeitos do panorama político-econômico atual. 

Todos esses ingrediente tendem a tornar a campanha que ora começa uma das mais disputadas da história, com resultado absolutamente imprevisível. Independentemente do que ocorra, espera-se que a democracia seja a grande vencedora.