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Editorial

Corrupção até quando?

17/06/2016 às 22:13
Show temers

Na verdade, o País não vive uma “onda atual” de corrupção. A malversação de verbas públicas, a captação ilícita de recursos, o pagamento de propina para obtenção de contratos, são atos que há muito tempo fazem parte do modus operandi da vida pública. A grande incidência de notícias envolvendo atos de corrupção se deve ao fato de que está em curso no País a maior operação contra agentes públicos corruptos da história recente. Ao que parece, a atuação da força-tarefa formada pelo Ministério Público, pelo Poder Judiciário e pela Polícia Federal na Operação Lava Jato tomou tal proporção que já não pode ser brecada. 

Como a política brasileira, desde tempos imemoriais, tem a corrupção como um dos pilares, a operação Lava Jato  tem dificultado, e muito, o andamento da administração pública em nível federal. 
Temos uma presidente da República afastada por envolvimento de seus ministros em recebimento de propinas oriundas de empreiteiras contratadas por estatais. Seu substituto, o presidente interino Michel Temer, mal completou um mês no cargo e já teve que dispensar três ministros pelo mesmo motivo. 

É claro que Temer sabia do risco que corria ao nomear ministros sabidamente investigados pela força-tarefa e já citados em delações. Mas ele cedeu às pressões daqueles que têm interesse na continuidade do esquema que favorece lideranças políticas há tanto tempo. 

 O País encontra-se paralisado do ponto de vista administrativo, apesar dos esforços de Temer. A cada dia, sempre há o risco do trecho de alguma delação vir à tona, comprometendo a permanência de mais um ministro no governo, ou mesmo a do próprio presidente interino. Não é à toa que o ministro Elizeu Padilha, da Casa Civil, em entrevista recente, falou da expectativa por um “desfecho” para a operação. 

O problema é que, quanto mais as investigações avançam, mais sujeira aparece, mais se alongam os braços da corrupção, dando da impressão de que todos na Câmara e no Senado estão, de alguma forma, envolvidos. O povo brasileiro não pode deixar de acreditar. Como também não pode aceitar a banalização da corrupção. Não podemos achar que é normal e que não há outro caminho para a política. Há saída e ela só depende do nível de comprometimento de cada brasileiro na hora de exercer sua cidadania por meio do voto.