Sexta-feira, 24 de Maio de 2019
Editorial

Creches, a velha luta


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17/04/2019 às 07:15

A retomada da luta por creches públicas em Manaus traz à cena o pouco caso que os governos federal e municipal têm demonstrado para com essa pauta. Há mais de 30 anos, mulheres que trabalhavam no Distrito Industrial inauguraram as batalhas por creches, hoje, na condição de avós, lideram novas frentes de reivindicação por creches.

O número dessas unidades na capital é insuficiente diante da demanda reprimida por décadas. E, nos demais municípios, sequer o assunto é tratado com relevância, ao contrário, está em segundo plano porque há um entendimento de que a prioridade é outra. O tratamento dado a reivindicação por creche expõe o pouco caso por parte das autoridades públicas para constituir uma política governamental de creches no Estado. Mais distante está a possibilidade de implantar uma política pública de creches.

Este não é um fato do Amazonas, na maioria das cidades brasileira há resistência a construção de creches colocando esses lugares em uma disputa ruim, qual delas está em posição mais crítica. Assegurar creches de boa qualidade às crianças é um dos indicadores de desenvolvimento positivo das cidades, a considerar o quadro brasileiro, é possível indicar que o País está mal nessa matéria e se mantém longe de se tornar referência nesse acolhimento.

A escassez de creches afeta a vida das mulheres de forma aguada. As que são mães vivem cotidianamente o drama de não ter onde deixar seus filhos menores enquanto estão no trabalho e, se os deixam em casa, com um irmão mais velho, correm o risco de serem denunciadas e responder pelo abandono de vulneráveis. As mulheres são responsabilizadas e, por vezes, criminalizadas quando seus filhos crianças passam por situações de agressão. O Estado sai de cena, lava as mãos no trato das crianças e ajuda a criminalizar mães que não estão nas linhas de acompanhamento dos filhos.

Se recepcionadas pelos governos e se os planos de construção e funcionamento das creches fossem levados adiante com responsabilidade o quadro atual seria outro e a sanidade das mulheres que necessitam desses espaços a seus filhos estaria mais protegida. Ou seja, aqueles que estão na linha de frente da gestão pública se mobilizariam para manter creches de boa qualidade funcionando e teríamos cidades melhor estruturadas.


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