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Editorial

Criação de Ministério da Segurança em ano eleitoral aparece manchado por velha prática

19/02/2018 às 00:26 - Atualizado em 19/02/2018 às 00:29
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A violência no Brasil parece necessitar menos de um ministério específico e mais de ação planejada a curto, médio e longo prazo que dê conta nacionalmente das demandas postas. Por que um governo em final de prazo, com enormes problemas para enfrentar, denúncias graves envolvendo diretamente o presidente Michel Temer (PMDB-SP), propõe criar um ministério para a área da segurança?

Em ano eleitoral, a proposta aparece manchada por uma velha prática, a de agradar aliados. Neste caso, fazer agrado grande criando um ministério que será entregue a um dos caciques de partidos políticos e, assim, garantir apoio nas votações no Congresso Nacional. Neste caso, com o que menos importa é o enfrentamento à violência e sim o guarda-chuva de proteção em torno do que é importante diretamente ao governo.

Não é o ministério em si que irá responder positivamente o combate à violência. Cadê o plano? Cadê as propostas? Cadê os estudos locais, estaduais e nacionais sobre os aspectos que delineiam a violência? O ministério aparece como mais uma investida governamental desastrada que se refletirá em mais gastos públicos e que pouco tempo terá para agir na composição pretendida pelo presidente Temer. O atual governo assumiu o posto criticando o número de ministérios, dissolvendo alguns e recriando instâncias que na prática mantém o que se comprometeu mudar e, na saga por alianças, disposto a aumentar. O que é grave é tratar nesse patamar uma situação tão grave como o é a segurança pública completamente falida.

A violência vem sendo alimentada em todas as instâncias. As instituições brasileiras passaram a dar suporte aos canais que alimentam a cultura da violência e às práticas violentas de conduta administrativa e de vida. Quando se perde o respeito tem-se mais violência, perde-se o limite, estimula-se a ação das organizações criminosas.

O País vive esse quadro onde a noção de probidade administrativa, honestidade e respeito aos princípios legais foram substituídos por um sistema que publicamente chafurda no coração dos brasileiros. Os grupos criminosos dentro e foram da administração pública constituíram uma gigantesca conexão que está espalhada em todos os Estados, nas estradas e nos rios. A maioria dos brasileiros e dos que vivem neste País tornou-se refém do medo, e muitos vítimas dessas ações. Um ministério que aparece na pressa de oferecer respostas é mais um ato que favorece a violência. Neste momento, a briga nos bastidores é por cargos.