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Editorial

Crianças correm perigo

10/04/2018 às 21:24 - Atualizado em 10/04/2018 às 22:56
Show infantil

Preocupa o crescente número de casos de crianças em situação de abandono em Manaus. Entende-se por abandono não apenas os menores deixados em casa trancados pelos pais ou responsáveis, mas também aqueles que – mesmo sem idade para estar na rua sem acompanhamento de adultos – são obrigados a seguir sozinhos para a escola e outros destinos, expondo-se a todo tipo de riscos. Na maioria dos casos, o que ocorre é flagrante irresponsabilidade dos pais, que deixam as crianças sozinhas em casa e saem para se divertir à noite. Um crime que precisa ser punido com todo o rigor da lei.

A existência de locais adequados para abrigar as crianças na ausência dos pais reduziria os riscos de abandono, mas a responsabilidade principal é dos pais mesmo em face do número reduzido de creches na cidade. O Estado tem a obrigação de prover a proteção dos menores, conforme o que preconiza o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), mas é da família o papel mais relevante nessa tarefa.

Conforme a própria constatação das autoridades policiais, a falta de estrutura familiar está na raiz do problema. Todos os dias, muitas pessoas – frequentemente usuários de drogas, menores de idade ou sem emprego ou qualificação profissional – tornam-se pais e mães sem o menor preparo ou condições para criar uma criança de maneira adequada.  Os pequenos acabam sendo as principais vítimas dessa situação e são colocados em um cenário de desesperança: ou continuam integrando uma família sem estrutura ou ficam sob a guarda do estado, em total incerteza quanto ao futuro.

Diante disso, a atuação do conselho tutelar, da polícia ou mesmo a vigilância dos vizinhos é  apenas paliativa. O combate a esse problema, assim como tantos outros, passa pelo mesmo caminho: educação, sobretudo no que diz respeito ao planejamento familiar. Cada instituição precisa fazer sua parte: escola, família, igrejas, associações. Ações abrangentes e permanentes de  conscientização a respeito da responsabilidade de se colocar uma criança no mundo precisam ser postas em prática com urgência.

A questão da sexualidade também não pode ser ignorada. A orientação dos jovens a respeito de sexo e dos fatores inerentes ao assunto, incluindo a necessidade de proteção contra doenças e prevenção quanto à gravidez indesejada, não é uma tarefa exclusiva dos pais. A escola também precisa atuar de maneira consistente. Infelizmente, a atual onda de conservadorismo – que tem o apoio de muitos pais e mães – transforma o assunto sexo em um tabu. Pior para os jovens, que se tornam adultos e pais irresponsáveis, contribuindo para mais crianças em situação de risco.