Terça-feira, 24 de Novembro de 2020
Editorial

Crianças de volta às ruas


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12/11/2020 às 06:48

É visível o aumento do número de crianças e adolescentes pedintes no espaço público de Manaus. Sozinhos ou em grupo, eles realizam diferentes performances para justificar o recebimento de algum dinheiro dos motoristas parados em semáforos ou das pessoas em geral nas praças, pontos de ônibus. São crianças e adolescentes, a maioria é de meninos, em busca de recurso financeiro para os mais variados fins, embora, no ato de pedir a ajuda, eles se referiram a compra de alimentos e para ajudar a mãe.

A situação demonstra o agravamento das condições de vida das famílias e o consentimento à violação dos direitos à infância e à adolescência. Sobre esse tema o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU), tem se pronunciado e apresentado diretrizes que possam contribuir para enfrentar o problema que atinge alguns países, entre os quais o Brasil. No caso da Amazônia, há campanha do UNICEF com o selo crianças a Amazônia e parcerias com prefeituras municipais.

A acelerada deterioração dos programas destinados às famílias e crianças em situação de vulnerabilidade nesta região empurram as crianças e os adolescentes para as ruas e, nelas, passam a ser exploradas e vítimas de traficantes, de abusadores sexuais ou mesmo na condição de pedintes já estão sendo violadas. Deixam de ter direitos fundamentais observados e tendem a abandonar a escola, a convivência familiar. Estão expostas em ambientes insalubres. Não é normal ver e permitir que crianças e adolescentes assim sobrevivam, apesar da recorrente presença deste e de um aparente pacto entre poderes públicos e sociedade quanto à aceitação e naturalização dessa presença.

No movimento provocado pela pandemia da COVI-19, esse retorno das crianças e dos adolescentes como pedintes ou vendedores de rua aponta para mais uma face dos efeitos da política negacionista da doença pelo presidente da República e parte dos integrantes do governo federal. Nos estados e municípios, os problemas se apresentam, se avolumam e poderão ser resolvidos, minimizados ou ignorados. No caso das crianças, é necessário denuncia r essa realidade e exigir que sejam reforçadas as medidas protetivas a elas asseguradas. O evento eleitoral não pode funcionar como subterfugio para tentar tornar invisível o contingente de meninos e meninas nas ruas, todos os dias, em todos os horários, principalmente no espaço de 7h às 20h.


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