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Editorial

Crianças em perigo

30/09/2017 às 14:47 - Atualizado em 30/09/2017 às 15:00
Show abusada

Estupro no ônibus, em casa, na igreja, na escola, parece não haver lugar seguro para as mulheres, principalmente quando essas mulheres são crianças. Cenário desesperador para os pais. Como ter tranquilidade de mandar as crianças para a escola? Como acreditar que estão seguras no ambiente escolar? Não há estatísticas divulgadas sobre casos de violência sexual nas escolas de Manaus, mas em capitais como Rio de Janeiro, uma criança é estuprada a cada cinco dias, segundo a Secretaria de Segurança daquele estado.

O caso investigado pela polícia em uma escola municipal da zona oeste de Manaus, em que oito meninas de até 14 anos podem ter sido molestadas por um funcionário da própria instituição, é apenas um entre tantos casos que podem estar ocorrendo neste momento, mas que não chegam a ser denunciados.

O silêncio das vítimas é uma das armas mais poderosas dos criminosos. A melhor forma de combater isso é por meio do esclarecimento, da informação que deve ocorrer na escola e na família. Alguns pais podem achar que é muito cedo para falar com seus filhos sobre sexualidade, que isso, de certa forma, roubaria-lhes a inocência e os deixaria ainda mais vulneráveis. Da mesma forma, não querem que seus filhos sejam expostos a tais assuntos na escola. Mas esse é um posicionamento que precisa ser melhor discutido. No ano passado, um vereador propôs a inclusão do tema “sexualidade e estupro” no conteúdo das disciplinas das escolas municipais e enfrentou reações furiosas nas redes sociais e também de seus próprios pares.

Mas é um fato: não se pode combater o estupro sem falar de estupro. E a sala de aula é lugar que também deve tratar disso uma vez que o crime, com muita frequência, ocorre também dentro da própria casa das crianças e jovens.

Infelizmente, é algo que o cenário atual de violência impõe. As crianças e jovens precisam saber que o perigo existe. Precisam  ser orientadas para reagir e denunciar abordagens suspeitas. Pais e responsáveis precisam ter atenção às pessoas que têm contato com a criança, mesmo que pareçam ser “de confiança”. Precisam conversar com os pequenos e identificar comportamentos suspeitos. Não se trata de estabelecer um clima de paranoia, mas de garantir o mínimo de segurança às crianças e adolescentes.