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Editorial

Crime organizado e segurança pública

18/07/2017 às 22:45 - Atualizado em 18/07/2017 às 22:46
Show drogas verdadeiro

A informação de que o crime organizado está falindo, dada há dois dias, pelo secretário de Estado da Segurança Pública, Sérgio Fontes, produz alívio vigiado. E deve ser recebida com a atenção que o tema exige no Amazonas. O crime organizado conseguiu estabelecer raízes em Manaus e viajar pelas águas dos rios locais para fazer bases em várias cidades. Construiu poderes e alongou os braços. Se é possível falar em desmantelamento dessa estrutura e se essa fala vem de uma autoridade cujo nível de respeito público se mantém enquanto a maioria das instituições está afetada pelo descredito, é um dado positivo.

Caberá à Secretaria de Segurança Pública fazer o restante da tarefa anunciada e ampliar a margem de confiabilidade da sociedade amazonense. O trabalho é árduo. Não apenas pelo fato de a segurança pública ter sido transformada numa grande guerra no País, mas pelo envolvimento de representantes de setores que deveriam, por dever constitucional, ser parte do conjunto comprometido em encontrar respostas aos problemas provocados pela insegurança e a consumação diária da violência nas cidades.

Em paralelo ao possível desmonte de organizações do crime organizado, os ataques de grupos ou duplas de criminosos às residências, estabelecimentos comerciais e pessoas nas ruas estão produzindo situações de desajuste dos moradores e da economia. A Feira do Mutirão, no bairro Novo Aleixo, Zona Norte, é um exemplo dessa situação. Pequenos comerciantes estão fechando seus estabelecimentos diante dos ataques sistemáticos de assaltantes que os submetem ao “toque de recolher”.

Nos presídios, as varreduras expõem as conexões que prisioneiros mantêm comos que estão fora das celas. Os acessórios encontrados mostram o quanto é difícil cessar o repasse de equipamentos e armas para os prisioneiros. Ao mesmo questiona a fragilidade do sistema de controle nesses presídios e o não uso de tecnologias mais avançadas para oferecer maior eficiência à fiscalização. É como se houvesse um pacto para manter as brechas das entregas dos equipamentos aos presos no ritmo de repetição da conduta: faz-se a varredura, é recolhido o que não deveria permanecer nas celas e, depois, mais equipamentos são novamente colocados nesses locais. Impedir a continuidade do processo é um mais um dos desafios para fazer a segurança pública funcionar como garantia à integridade das pessoas e dos ambientes.