Domingo, 22 de Setembro de 2019
Editorial

Crise ambiental


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23/08/2019 às 08:09

O aumento acentuado das queimadas na Amazônia é uma realidade que muitos gostariam de negar, mas que já foi constatado por órgãos oficiais e até pela Nasa. Isso sem mencionar  efeitos como o excesso de fumaça em Rondônia, no Acre e no Mato Grosso. Não é algo que possa ser facilmente ocultado. Em vez de apontar supostos culpados com base apenas no “achismo”, o momento é de tomar medidas emergenciais para conter os focos de incêndio na floresta. O mundo está de olho no Brasil e nas medidas que serão tomadas em face da crise ambiental. 

Uma olhada no mapa dos focos de calor, disponível no site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostra que o fogo se concentra principalmente na porção norte do Mato Grosso, Rondônia e porção leste do Pará, áreas pressionadas pela agropecuária. O governo federal quer saber quem está “por trás” do que considera ataques deliberados com objetivo de desestabilizar a gestão, acusando ONGs - ainda que sem provas -, mas a relação entre as áreas em chamas e a pressão do agronegócio é evidente. 

O discurso precisa ser mais realista e a postura precisa mudar, pelo bem da Amazônia e do agronegócio brasileiro.  A reação de lideranças políticas, artistas, cientistas, celebridades e pessoas comuns em todo o mundo aumenta a pressão sobre o País. E não adianta dizer que “a Amazônia é nossa e ponto final”. É preciso mostrar que há uma política ambiental preocupada com a preservação da floresta, o que não exclui o aproveitamento racional dos recursos naturais da região.  Caso contrário, o risco de sanções por parte de grandes importadores de nossos produtos é grande e não deve ser ignorado.

Quanto ao combate ao crescimento dos focos de incêndio, algumas medidas podem ser tomadas de imediato. Uma das principais é o fortalecimento dos órgãos de fiscalização, como Ibama e ICMbio, que além de perderem recursos para exercer suas atividades, tem sido praticamente criminalizados em alguns Estados. No Pará, por exemplo, o governo estadual retirou o apoio da Polícia Militar às ações de fiscalização do Ibama. Os fiscais passaram a ser vistos como “inimigos do desenvolvimento”. Não se sabe até que ponto fatos como esses se refletem no avanço das queimadas, mas não resta dúvida de que o enfraquecimento das instituições contribui para a derrubada da floresta e avanço das chamas.


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