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Editorial

Crise na reordenação da saúde

28/06/2016 às 21:39
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O reordenamento do sistema estadual de saúde chegou em meio a tempo nebuloso. Se a proposta reúne boas possibilidades essas acabaram perdidas na confusão e nos efeitos dos cortes de recursos orçados em áreas básicas já fragilizadas. Usuários do sistema de saúde queixosos da precariedade entraram em desespero com a possibilidade de agravamento da situação.

A recomendação feita pelos ministérios públicos estadual e federal para que o Governo do Amazonas suspenda por 90 dias o reordenamento é um ato necessário. É preciso reordenar o reordenamento. A população usuária, a mais impactada pela medida, deve ser considerada como prioridade nas ações de informação e de explicação sobre o que está proposto para o setor e quais as garantias a serem dadas. É um trabalho que não se completa em um dia ou numa fala oficial.

O diálogo entre as equipes das secretarias de saúde do Estado e do Município de Manaus, anunciado como uma das medidas que deverá ocorrer nos próximos dias, poderá, se concretizado, ser um passo em frente. Numa área sensível como o é a saúde pública, dialogar é receita a não ser esquecida. Nem deveria ser recomendada pelo Ministério Público se a prática administrativa estivesse pautada em outros pilares. 

As manifestações que estão ocorrendo na cidade mostram o quanto o diálogo vem sendo deixado de lado para prevalecer outras formas de enfrentamento às dificuldades, algumas delas pouco republicanas. O mecanismo, importante, das audiências públicas está viciado quanto à conduta política de confundir o entendimento das pessoas e serve mais como subsídio de defesa diante de eventuais cobranças sobre o desenvolvimento do processo. Quanto mais a sociedade participar das audiências, quanto maior for o acesso dela às informações e mais esclarecida estiver mais chances terão as propostas feitas de serem efetivadas. Evidente, se tratadas com a responsabilidade e a seriedade que merecem ter. Caso contrário, passa a ser outra coisa e os desentendimentos ganham a força maior agravando a crise nessa área.

Até agora, os usuários do sistema público de saúde do Amazonas não sabem o porquê do reordenamento e como esse irá funcionar. Sabem que estão sendo maltratados e submetidos às incertezas do atendimento médico-hospitalar no momento em que se encontram mais fragilizados.