Sábado, 04 de Julho de 2020
Editorial

Cuidado redobrado na reabertura


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31/05/2020 às 00:51

Em Manaus, o “novo normal” começa nesta segunda-feira, com o início do cronograma de reabertura do comércio e do setor de serviços, paralisados – pelo menos em grande parte – por conta das medidas restritivas necessárias para conter o avanço do novo coronavírus no Estado. 

Todos não veem a hora de cortar os cabelos em um salão de beleza, passear no shopping e fazer compras no Centro da cidade, entre outras atividades barradas na quarentena. Mas é preciso conter o entusiasmo e não começar a achar que o perigo já passou. Basta lembrar que o Amazonas acaba de superar a trágica marca de dois mil mortos por covid e os números de óbitos e novos casos seguem crescendo dia após dia.

Os últimos boletins divulgados pela Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) mostram que as mortes diárias causadas por covid têm se mantido em um patamar relativamente estável, mas isso não significa necessariamente o arrefecimento da pandemia. Nenhum especialista fala ainda em situação de platô – quando novas infecções e óbitos permanecem em certa faixa diária antes de começar a diminuir.

Na verdade, o que há é o temor de que ocorra um novo pico no mês de junho. O fato é que a situação continua delicada em Manaus. Nesse momento de reabertura, a possibilidade de aglomerações - e de contágio - cresce com a maior circulação de pessoas. É  fundamental manter os cuidados quanto ao distanciamento, higienização, uso de máscaras de proteção e demais medidas preventivas. 

E aí reside um problema: em Manaus, o nível de adesão a essas medidas sempre foi muito baixo. Não há estudos oficiais, mas basta uma volta pela cidade para verificar o enorme descaso pela gravidade da pandemia. Em bairros de zonas como Leste e Norte, lojas de serviços não essenciais permaneceram abertas e frequentemente lotadas mesmo no pico da pandemia.

O isolamento social ficou restrito ao Centro da cidade e alguns bairros, o que ajuda a explicar a explosão de infectados e mortos verificada em abril, quando o número sepultamentos superou 160 em um único dia. Dias como aqueles não podem voltar. Mas, para isso, é necessária a colaboração de todos: a consciência de que cada um é responsável por cuidar de si mesmo e também do outro. A reabertura não deve ser  uma fase de exageros, mas de cuidado redobrado.
 


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