Quarta-feira, 23 de Outubro de 2019
Editorial

Cuidados com os alimentos


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06/10/2019 às 06:00

É um problema grave de saúde pública. Números do DataSUS - Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde – revelam que, até julho deste ano, houve mais de 2,3 mil internações em hospitais públicos por diarreia e outras doenças infecciosas intestinais causadas pela ingestão de alimentos contaminados. O hábito de se alimentar nas ruas, na correria do dia a dia, representa um perigo para as pessoas. Erros na manipulação de alimentos, como higienização inadequada ou mesmo a ausência dela; armazenamento e cozimento incorretos podem causar diversos riscos que vão da intoxicação alimentar – a mais comum -, até doenças mais graves como botulismo e cólera.

No caso específico do Amazonas, o cenário se agrava devido a alguns aspectos: temos uma cultura gastronômica que prima por produtos que exigem cuidadosa manipulação e preparo, como a tapioca, o tucumã e o queijo coalho, verdadeiros ícones da culinária local, mas que podem causar gravíssimos problemas de saúde em caso de erros na manipulação. Por outro lado, esses são itens indispensáveis nas incontáveis banquinhas de lanches espalhadas pela cidade, e que continuam se proliferando como opção de renda em tempos de economia estagnada.

É preciso adotar medida para garantir a segurança alimentar das pessoas. Não se trata de demonizar esses alimentos nem tirar o ganha-pão de quem depende desses pequenos negócios para sobreviver. A solução depende da atuação em várias frentes por parte de diferentes atores. Ao poder público cabe manter o controle sobre os pequenos negócios, disponibilizando capacitação adequada no que diz respeito à manipulação dos alimentos; fiscalizar a observância desses critérios e identificar o local como negócio que oferece alimentos seguros. Cabe aos empreendedores não esperar pelo poder público e buscar a capacitação necessária para oferecer produtos de alta qualidade; e cabe aos consumidores evitar alimentos de procedência duvidosa, além de cobrar, tanto o poder público como os pontos de venda, fiscalização e produtos de qualidade.

Não é preciso abrir mão do tradicional x-caboquinho, ou do delicioso queijo coalho, mas sem correr riscos desnecessários. Mas os riscos não se restringem aos alimentos consumidos nas ruas. Os mesmos cuidados que exigimos por aí, devemos ter em nossas próprias cozinhas.


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