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Editorial

De novo a conta vai para o consumidor

20/07/2017 às 21:59 - Atualizado em 20/07/2017 às 23:21
Show gasolina

Quando percebeu que não conseguiria atingir a meta fiscal prevista para o ano, o governo federal não teve dúvidas: tratou de transferir esse ônus ao trabalhador. O aumento de impostos sobre os combustíveis não será “de leve”. O litro da gasolina pode ficar até R$ 0,41 mais caro, o que vai, provavelmente, elevar o preço do litro do combustível para além dos R$ 4,00. A oneração também vale, com menor impacto, para diesel e álcool.

Além disso, apesar de ser visto como supérfluo, o custo com combustíveis entra na composição dos preços de praticamente todos os produtos, uma vez que interfere nos preços dos transportes. É bem possível que um novo reajuste nos preços das passagens de ônibus entre em discussão.

Esse aumento terá impacto negativo imediato na economia como um todo, exatamente no momento em que os primeiros sinais de recuperação começavam a aparecer: com desaceleração no desemprego e queda na inflação. A alta nos impostos terá o efeito de um balde de água fria no processo de retomada do crescimento econômico. Quem afirma é a Fiesp, a mesma que usou um pato inflável gigante como símbolo do luta contra o aumento de impostos em manifestações de rua no ano passado.

A intenção do governo é evitar a frustração de receitas por causa da queda na arrecadação. Mas o tiro pode sair pela culatra. O aumento de impostos pode causar um esfriamento econômico com potencial para derrubar ainda mais a arrecadação prolongando o cenário de recessão que já se arrasta há alguns anos. Afinal a  arrecadação depende da atividade econômica.

Empurrar a conta para o consumidor foi a saída mais fácil encontrada pelo governo. Mais corajoso seria apostar na recuperação com medidas que a acelerassem, como a redução mais acentuada da taxa de juros.

A redução da Selic aqueceria o consumo, com reflexos no aquecimento econômico e, consequentemente, na arrecadação.

O tiro no pé se completa com o preço político que o presidente Temer terá que pagar com a medida, em face da denúncia que pesa contra ele e que ainda será apreciada na Câmara dos Deputados. Fica mais difícil para os parlamentares defenderem um governo que toma uma das medidas mais detestadas por todos, o aumento de impostos. Pior para os contribuintes.