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Editorial

De olho na base nacional

07/07/2017 às 22:34 - Atualizado em 07/07/2017 às 23:16
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Os técnicos do  Ministério da Educação (MEC), desde o governo de Dilma Rousseff (PT), portanto não é algo surgido agora, vem discutindo a adoção do que eles chamam de Base Nacional Curricular Comum para a equalizar os conteúdos de educação fundamental recebidos pelas crianças brasileiras de todas as regiões. É um trabalho gigante levando-se em conta das desigualdades regionais e as diferenças entre os diferentes tipos de brasileiros, dado que nossa socio-diversidade é única em todo o mundo, o que é, efetivamente, uma das nossas maiores riquezas.

A ideia da base nacional é oferecer um quadro no qual todos os estudantes, professores e pais saibam exatamente o que é direito das crianças apreenderem ao longo dos primeiros estágios da escolarização, dada no Ensino Fundamental. Mais do que sinalizar, conteúdos homogêneos, os técnicos dizem que a base sinaliza direitos dos educandos.

Neste sentido cabe uma belíssima reflexão sobre o papel dos educadores, de um modo geral, e dos professores, em particular. Entenda-se por educadores aquela plêiade de profissionais que estão no entorno das salas de aulas, do bedel do corredor ao diretor da escola, passando pelos técnicos educacionais.

 Essa é a base profissional que vai colocar em prática essa garantia de direitos dos educandos. Portanto, o envolvimento deles na construção dessa matriz educacional é fundamental para que ela tenha sucesso. Não adianta profissionais da educação de Estados mais ricos indicarem conteúdos que jamais serão vistos em Estados mais pobres. É preciso equalizar, ou na linguagem popular, levar em conta o velho adágio de “nem tanto ao mar, nem tanto a terra”.  É do caminho do meio que sairá uma boa Base Nacional Curricular Comum.

Um outro ponto que merece atenção redobrada dos profissionais da educação que estão na base,  nesse momento de formatação da matriz,  diz respeito aos conteúdos regionais que precisam ter seus espaços respeitados. Estudar geografia da amazônia pode não ter sentido para um sulista, mas faz toda a diferença para um estudante desta parte verde do País. Então, nossa voz precisa ser ouvida no sentido de que espaços típicos sejam respeitados, principalmente levando em conta o histórico de desprezo do governo central pelo que é produzido em determinadas regiões.