Sábado, 16 de Outubro de 2021
Editorial

De volta à realidade


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10/09/2021 às 06:46

Nos últimos dias, é como se duas realidades distintas se instalassem no Brasil: a realidade de fato, em que o País luta contra crises sobrepostas (sanitária, econômica, hídrica etc), e uma realidade paralela, onde tais crises têm menor importância. Nessa realidade fictícia, chegou a ser decretado estado de sítio no País, para comoção de centenas de patriotas. Milhares de pessoas em diversas capitais entrarem em estado de êxtase, aguardando o desfecho triunfal, quando o Poder Executivo sobrepujaria os demais, removendo os obstáculos que o estariam impedindo de gerir o País adequadamente. Movidos por esse êxtase, caminhoneiros fecharam as estradas em 15 estados para pressionar os demais poderes e manifestar apoio ao presidente da República. 

O problema é que os atos praticados por quem vive nesse mundo de fantasia têm impactos diretos no mundo real, e a realidade sempre se impõe. A ação dos caminhoneiros, que não faz o menor sentido, pois defende pautas impossíveis como a destituição de magistrados do STF (o que só pode ser feito por meio de impeachment), começou a pressionar a economia, podendo causar desabastecimento, alta de preços e mais instabilidade. Eles tiveram que ser chamados à realidade pelo próprio presidente, alertado por auxiliares que o movimento poderia sair do controle, causando sérios danos a todo o País. Ao mesmo tempo, as instituições da República suportaram a forte pressão, demonstrando que nossa ainda jovem democracia já alcança elevado grau de solidez.

O êxtase de muitos que foram às ruas no dia 7 de setembro foi interrompido na noite de quarta-feira, quando, por meio de um áudio, o presidente pediu a desmobilização dos caminhoneiros, causando estranheza em muitos, e acabou de vez na tarde de ontem, com a nota de Bolsonaro à Nação, em que o mandatário baixou o tom e recuou, para decepção dos que já se imaginavam em estado de sítio.

O que a sociedade brasileira espera (embora sem muita esperança) é que o aceno de Bolsonaro aos demais poderes se converta em pacificação efetiva e que o governo abandone de vez as bravatas golpistas e passe a se dedicar aos problemas do mundo real, que exigem atenção mais do que imediata, como o elevado desemprego, inflação em disparada, e as crises sanitária e hidrica.


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