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Editorial

De volta ao coronelismo

11/07/2016 às 21:23 - Atualizado em 11/07/2016 às 21:29
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No episódio envolvendo o deputado Orlando Cidade - que tentou interferir na ação do Batalhão Ambiental durante apreensão de pescado supostamente irregular em Manacapuru - pelo menos uma pessoa foi presa, o peixeiro. Mesmo alegando não ser o dono do pescado apreendido, Orlando Cidade  tentou insistentemente travar a ação da polícia, inclusive telefonando para o governador, com a clara intenção de intimidar os policiais, chegando ao cúmulo de sugerir que o agente da lei  conversasse com o governador ao telefone.

A postura de Orlando Cidade lembra que, de certa forma, o coronelismo ainda não acabou no interior, onde pessoas ainda se valem do poder econômico, do cargo que ocupam e de suas relações com o poder para impor sua vontade, mesmo que seja passando por cima da lei e das autoridades constituídas.

Não é preciso ser especialista em ética para saber que o comportamento do deputado destoa do que se espera de um representante legítimo do povo. Causa estranheza a postura do presidente da Comissão de Ética da Assembleia, deputado Vicente Lopes, ao afirmar que não cabe à Casa manisfestar-se sobre episódios como este. Esta é a mesma comissão que nada fez em relação ao deputado Dr. Gomes, que foi flagrado comprando votos de forma descarada em seu próprio gabinete na Assembleia. Diante disso, o cidadão pode se questionar: qual a função da Comissão de Ética da Assembleia?

Segundo o site da instituição (www.ale.am.gov.br), a comissão tem 11 funções e uma delas diz respeito à manutenção da dignidade e do decoro parlamentar. Se um deputado estadual tenta intimidar policiais em cumprimento do dever, aproveitando-se de  suas relações com o  Poder Executivo, em episódio de enorme repercussão negativa na imprensa e nas redes sociais, parece bastante claro que a Assembleia é atingida, é manchada pela postura aparentemente equivocada de um de seus membros.

Poderia-se esperar que a Casa, pelo menos, buscasse maiores esclarecimentos sobre o ocorrido, por uma questão de respeito à sociedade. Ao manter-se inerte diante de um fato como esse, o Parlamento passa a mensagem de que proteger um dos seus é mais importante que o interesse público, que esclarecer os fatos, que demonstrar transparência e dignidade.