Quarta-feira, 03 de Junho de 2020
Editorial

Debates vazios em meio ao caos


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10/04/2020 às 08:14

No momento em que o País está à beira do crescimento descontrolado da covid-19, o que pode resultar em milhares de mortes nas próximas semanas, uma série de debates vazios que não levam a nada vem ganhando cada vez mais espaço. É o resultado da politização da crise, quando grupos com objetivos diversos aproveitam para travar embates que em nada contribuem para o enfrentamento da pandemia e seus efeitos. Um desses debates sem objetividade é a proposta de redução pela metade dos salários dos vereadores, em discussão na Câmara Municipal. A ideia é das mais nobres, unir os parlamentares em um ato altruísta que resultaria em mais recursos para o combate ao vírus. O problema de tal ideia é que teria um impacto muito mais simbólico do que prático.

Como cada vereador recebe R$ 11.250,00 líquidos, a redução de 50% nos salários dos 41 parlamentares resultaria em pouco mais de R$ 230 mil por mês. A medida só faria sentido se integrasse um pacote de iniciativas diversas visando angariar recursos para o enfrentamento da pandemia. O Parlamento poderia concentrar esforços nessas ações mais amplas, não em questões pontuais que servem apenas para desperdiçar tempo e energia enquanto cresce a cada dia o número de pessoas que sofrem na pele os efeitos da crise. Vale ressaltar que cada vereador ou deputado – como qualquer outra pessoa – é livre para, espontaneamente, doar parte de seus proventos para ajudar em ações concretas nesse período de dificuldade.

Outro debate vazio que tem tomado conta das redes sociais e das instâncias governamentais é o uso ou não da cloroquina e da hidroxicloroquina no tratamento de pacientes acometidos de covid-19. Esse debate não pode ser contaminado com elementos políticos, é algo que deve ser conduzido segundo critérios técnico-científicos. Assim como os medicamentos citados, há outros tratamentos igualmente ou até mais promissores, como o uso de plasma dos pacientes recuperados. Politizar o uso de qualquer medicação na tentativa de vender uma ilusão de cura é extremamente perigoso e irresponsável.

A principal questão que deveria unir todos – governos, parlamentares, empresários, líderes religiosos e a sociedade em geral – é como conter o avanço do contágio. O País está prestes a atingir a marca de mil óbitos, e faz-se extremamente necessário deixar de lado a politicagem e frear o contágio. Por enquanto, a única medida que surtiu efeito em outros países é o isolamento social, que precisamos fazer agora por opção, para não sermos obrigados a fazer daqui a alguns dias.
 


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