Publicidade
Editorial

Decadência educacional

31/10/2017 às 22:01
Show sem merenda

Os últimos resultados sobre a educação no País aliam dados que formam um quadro muito difícil para recompor níveis sociais decentes e impedir o avanço da desigualdade no Brasil. São 13 milhões de analfabetos e entre as crianças os indicadores mostram que parcela dessa população em processo de alfabetização não consegue ler, fazer contas mais simples nem escrever adequadamente.

Há quatro meses, ativistas de movimentos pela educação chamavam atenção para a importância da merenda escolar nas escolas brasileiras. Na periferia das grandes cidades e nas regiões subdesenvolvidas o fator merenda escola é decisivo para manter crianças e adolescentes na escola. Um professor de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, disse que para muitas crianças a principal alimentação estava na merenda que recebiam na escola. Quando essa merenda não chega em tempo hábil ou mesmo não chega à escola significa que muitos estudantes não terão chance de se alimentar e consequentemente de estudar. Há uma necessidade maior a ser atendida.

O relato desse professor soma-se a de outros nas grandes periferias brasileiras onde milhares de crianças e adolescentes não dispõem de escolas em condições mínimas de atendê-los e de realizar o processo educador. São lugares que padecem com o calor intenso, infiltrações, falta de espaço de convivência, tubulações e iluminação inadequadas. É impossível aos professores exercitar o ensino e aprendizagem em condições de tamanha insalubridade. As tarefas desse educador são multiplicadas e na maioria das ocorrências esse profissional encontra-se sozinho para atuar com multi responsabilidades.

A quebra dos programas sociais, o afrouxamento nas ações de monitoramento da educação e a indicação de pessoas a funções estratégicas dentro da área pelo critério político-partidário são posturas que tendem a agravar o panorama de agora. O prejuízo será grande e terá longo alcance porque na educação não se tem respostas imediatas, a partir de um clicar num botão. Infelizmente, a política de baixa envergadura que tudo negocia ganhou espaço e espalha seus métodos. Na educação, o resultado é sempre perverso, o País não se distancia de atrasos que já deveria ter vencido e agudiza a pauperização em um ciclo de pobreza e decadência negando à maioria dos brasileiros a oportunidade de ser incorporados e equilibrar os índices de escolarização e de ter acesso à educação de qualidade.