Sábado, 08 de Agosto de 2020
Editorial

Decisão lenta destrói microempresas


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22/05/2020 às 08:45

A participação dos microempresários e médios empresários na economia nacional é reconhecidamente fundamental. Não um registro ingênuo, mas presença importante como instrumento balizador econômico-social. Em países da Europa e na América do Norte, o segmento empresarial micro e médio ampliou significativamente a presença na política econômica-social e têm recebido dos governos apoio creditício volumoso para manterem as atividades e os postos de trabalho.

Nesses países, com economias fortes e estabilizadas por períodos mais longos, há uma posição clara e firme da maioria dos governos sobre a função exercida pelas micro e pequenas empresas. São elas que atuam para movimentar dólar e euro numa cadeia dinâmica que, por sua vez, atua para impedir o agravamento de situações de segmentos mais vulneráveis, principalmente o de imigrantes.

No Brasil, as microempresas têm historicamente uma atuação de relevância. Respondem com rapidez na movimentação da economia, na manutenção e abertura de postos de trabalhos nas capitais, regiões metropolitanas, e, notadamente, nas pequenas cidades onde os grandes empreendimentos não se fazem presentes. Dados do Sebare, de 2019, indicam a existência de 12 milhões de negócios dos quais 8,3 milhões estão na modalidade microempresário individual (MEI).

No ano passado, mesmo com a crise econômica-política do Brasil, foram gerados por esse segmento 326,6 mil empregos. As MPEs respondem por 25% do Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todos os bens e serviços produzidos por um país ou região). E têm fôlego para ampliar o nível de participação desde que seja realizada permanentemente uma política governamental de apoio aos micro e pequenos negócios.

O que se acompanha na atualidade é exatamente o contrário, quando o governo e os bancos criam obstáculos para que os microempresários tenham acesso a recursos públicos e possam manter suas atividades funcionando e os postos de trabalho abertos. O jogo de ‘puxa-encolhe’ entre o poder executivo e os bancários arrasta os pequenos e micro negócios para um buraco que terá consequências graves. Mais desemprego, mais carência e mais violência, aprofundamento da crise social. 

Uma decisão técnica e um posicionamento sensato por parte do governo poderá ter evitado que os micro e pequenos empresários estiverem na crítica situação em que se encontram. Os dados do setor estão disponíveis publicamente para ajudar o poder executivo a tomar decisão adequada.           
 


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