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Editorial

Declarações inadequadas

21/11/2017 às 22:00
Show federal 123

As declarações feitas pelo diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segóvia, revelam inicialmente dois aspectos na trama em torno da Operação Lava Jato. Um, Segóvia demonstra inabilidade  e aposta no aprofundamento dos conflitos na relação entre a PF e o Ministério Público Federal (MPF) como elementos para desviar atenção daquilo  que é  realmente importante, a fiscalização das condutas de agentes públicos e privados no uso de bens públicos para fins particulares; outro, soa como provocação de quem recém-chegado à equipe de confiança do Governo decide medir o nível de tolerância da sociedade para com as condutas governamentais, legislativas e judiciárias em relação a Lava Jato. Qualquer uma delas é temerária e inadequada para um gestor público.

Reforçar os conflitos entre PF e MPF não ajuda em absolutamente nada a vida nacional. Ao contrário retarda tomada de posições necessárias e que deviam ser coletivas e fragiliza o processo de investigação ora realizado no Brasil. Afirmar que uma mala, contendo valores monetários, transportada por um assessor da Presidência da República não é prova suficiente para comprovar crime de corrupção, como fez o diretor-geral da PF, soa estranho. Afinal, somente nesse caso, a mala continha R$ 500 mil, e se encontrava em poder do ex-assessor e homem de confiança do presidente Michel Temer o deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-MG).

O que seria necessário comprovar para confirmar o crime de corrupção? Por que acentuar na atual conjuntura brasileira que se fosse a Polícia Federal que estivesse investigando o procedimento seria outro diferente do que o MPF adotou?  Para quem fala Fernando Segóvia?

O confronto aberto soa como velha estratégia de retirar do foco questões fundamentais da Lava Jato. Os arranjos feitos para fragmentar a operação e desqualificar determinados procedimentos produzem desconfiança por parte dos brasileiros que começam a desconfiar do rumo que a Lava Jato tomará. O cabo de guerra armado tem um lado numeroso, forte e atento na defesa de seus interesses, capaz de fazer qualquer coisa que assegure a manutenção de privilégios. Esperava-se do diretor-geral da PF outro procedimento, falas mais esclarecedoras sobre a continuidade da operação e da disposição da direção da PF de seguir em frente com as tarefas de fazer valer a Lava Jato, aprimorando-a.