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Editorial

Denúncia Tardia

03/11/2016 às 08:51
Show show camaranova

A denúncia da Procuradoria da República contra 443 ex-deputados federais acusados de usar indevidamente verbas públicas para bancar viagens de turismo para amigos e familiares chama a atenção por alguns aspectos. O primeiro deles, e o mais evidente, é a enorme demora para que a denúncia fosse apresentada. São mais de sete anos desde que o escândalo foi destaque em todos os jornais do País. Demorou tanto que nenhum dos denunciados ocupa, atualmente, cadeira na Câmara dos Deputados.

Se a denúncia levou tanto tempo para sair do papel, o que esperar da tramitação da ação? Qual a expectativa de que os culpados - se o ilícito for confirmado - sejam punidos? Infelizmente, a demora absurda na apresentação da denúncia é um forte indício de que a apuração dos fatos - ocorridos em 2009 - não será feita de maneira célere. O risco de que se torne mais um caso de abuso na aplicação de dinheiro público esquecido nos labirintos da Justiça parece grande e contribui para a percepção de que a Justiça caminha lentamente em nosso País, sobretudo quando os envolvidos detém os meios necessários para forçar esse prolongamento por meio da infinidade de recursos disponíveis.

Outro aspecto que chama a atenção na denúncia da Procuradoria é a presença de políticos do Amazonas entre os denunciados. Um dos destaques é Sabino Castelo Branco, que, mesmo inelegível, já tem uma cadeira reservada na Câmara dos Deputados em 2017, já que é suplente de Marcos Rotta, recém-eleito vice-prefeito de Manaus.

O rol de amazonenses também inclui o polêmico ex-deputado Carlos Souza, reprovado nas urnas nas eleições de 2014.

A morosidade com que o caso vem sendo tratado é, também, um incentivo aos maus parlamentares, àqueles que não têm respeito pela coisa pública, por seus eleitores ou por si mesmos. A chamada “farra das passagens” foi um episódio emblemático que não pode passar em brancas nuvens. Não há nenhuma garantia de que essa prática abusiva não continua até hoje, juntamente com uma série de vantagens absurdas aos parlamentares.

Vamos esperar que a avaliação dos fatos e a consequente ação judicial não caminhem na mesma velocidade que a preparação da denúncia e que o caso seja, finalmente, apreciado pela Justiça.