Domingo, 21 de Julho de 2019
Editorial

Desafios à nova delegacia


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05/07/2019 às 07:59

A criação da Delegacia Especializada em Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro no Amazonas será um teste para os poderes do Estado. Anunciado, há dois dias, pelo secretário estadual de Segurança Pública, Louismar Bonates, o novo órgão está situado entre a necessidade de o Estado dispor de uma estrutura com boa operacionalidade para cuidar desses crimes e a disposição política de fazê-lo funcionar adequadamente no combate à corrupção e à lavagem de dinheiro.

Fortes interesses há décadas existentes envolvem a prática desses crimes. Os relatórios de investigações feitos a partir de denúncias que prosperam e outras que ficam ‘esquecidas’ apontam a participação ativa de servidores públicos na pavimentação desses atos criminosos. Uma delegacia especializada seria colocada como instância capaz de agir, legal e tecnicamente, para prevenir e combater os crimes. O pessoal a ser parte do órgão terá a responsabilidade de fazer valer o espírito de ficha limpa e desenvolver mecanismos que cultivem a conduta ética profissional. Ou seja, um dos desafios é o de assegurar que os recursos humanos da futura delegacia compreendam o papel que têm no combate a esses crimes e tenham formação sólida para também não se tornarem braços de apoio a esquemas corruptos e de lavagem de dinheiro.

O poder de cooptação e de interferência dos corruptores é grande e está espalhado nas estruturas institucionais. Enfrentá-lo exige ter clareza sobre o tamanho do alcance dos esquemas, o quadro de agentes públicos neles envolvidos, de pessoas e de organizações que realizam os negócios ilegais. A corrupção só se torna real porque há um sim às demandas de corruptores; a lavagem de dinheiro encontra facilidades variadas para ser feita e até apresentada como condição normal.

Uma delegacia especializada no combate a esses crimes é apresentada à sociedade como o órgão dotado das condições estruturais, técnicas e éticas para enfrentar os criminosos e as estratégias que utilizam. A presença de gestores públicos nesses esquemas torna o posicionamento de combate um teste de resistência e de coragem. Espera-se que a futura delegacia especializada nasça com essa marca e disposição de lidar com os ataques e os silenciamentos determinados mediante os interesses negociados entre as partes. Só assim vale criar a delegacia.


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