Segunda-feira, 16 de Dezembro de 2019
Editorial

Desafios da igreja


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30/11/2019 às 22:09

Os desafios da Igreja Católica na Amazônia, assim como no mundo todo, são muitos. E Manaus, como metrópole regional, tem papel central nesse panorama.Não foi à toa que o Papa Francisco escolheu a dedo o novo arcebispo de Manaus e região Metropolitana, Dom Leonardo Ulrich Steiner, de 69 anos, que vai assumir o posto atualmente ocupado por Dom Sérgio Castriani.

O atual arcebispo, que precisou renunciar ao posto em face da saúde combalida, deixará o cargo em janeiro de 2020.

Não se pode ignorar que o novo arcebispo representa uma força religiosa que tem se posicionado contra direcionamentos políticos e econômicos em relação à Amazônia, notadamente no que diz respeito à visão lançada sobre os povos da floresta e ao modelo de exploração que se pretende implantar sobre os recursos naturais da região.

Falas do Papa Francisco têm ressaltado a necessidade de tratar o desenvolvimento de forma sustentável, sem perder de vista a preservação ambiental e o respeito às populações tradicionais. Da mesma forma, a Igreja vem defendendo o fortalecimento da democracia mundo afora, como arma contra a tirania e a opressão dos povos, um posicionamento que vem sendo adotado de forma mais destacada pelas novas lideranças católicas no pontificado de Francisco.

Dom Leonardo também assume a missão de revitalizar a fé católica em Manaus, que vem perdendo espaço nas últimas décadas. Para isso, o líder religioso traz na mala um extenso currículo: formado em Filosofia e Teologia, foi secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) por dois mandatos consecutivos.

Em sua entrevista concedida ao jornal A Crítica, Dom Leonardo tratou de esclarecer que não atende a orientações políticas de esquerda, direita ou qualquer outra direção. Sua orientação é o Evangelho, o que não deve impedir ninguém de ser crítico, no sentido de cobrar a boa conduta por parte dos agentes públicos, sem perder de vista o fortalecimento da democracia.

Nas palavras dele: podemos discordar de um determinado ministro, de um senador, deputado, do presidente, mas não podemos colocar em risco, em jogo, o Executivo como tal, o Judiciário e o Legislativo como tal. Para ele, podemos e devemos criticar sempre que existam problemas que exigem o exercício do diálogo, com o equilíbrio tão em falta nos dias atuais.

Foto: Ingrid Anne


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