Publicidade
Editorial

Desafios para um novo ano

31/12/2016 às 11:53
Show show 1

Primeiro dia de um ano. Alcançar essa marca é tradicionalmente motivo de comemorações em todo o mundo. O novo ano costuma ser recebido com a queima de fogos de artifício, músicas, danças e alegria. Os povos festejam. E veem com frequência razões para celebrar esse acontecimento reunindo significados da existência humana.

No Brasil, 2017 carrega muitos questionamentos feitos nos últimos anos e que ficaram sem respostas. A crise ético-política é questão central. Dela deriva os descaminhos da economia e nela são gestadas e eleitas as fórmulas de enfrentamento que estão se revelando inadequadas diante da série de compromissos que o governo federal mantém para assegurar apoio. Os gastos públicos apresentados como o maior gargalo na administração passada cresce na atual.

Os arranjos de reajustes salariais feitos para determinadas categorias põem à prova o tamanho da vontade política em ajustar as contas públicas; a forma de socorro aos governos estaduais em dificuldades para manter a máquina administrativa funcionando dentro da normalidade chama atenção exatamente por não ter contrapartida. É como se o Governo Federal estivesse indicando a esses governos que devem continuar agindo como agiram até então pois sempre haverá como atendê-los.

Nesse contexto, o arrocho fica mesmo para as famílias mais pobres e para os trabalhadores com salários defasados e/ou demitidos. Os pacotes governamentais feitos atendem preferencialmente uma área que não tem sido um exemplo positivo em matéria de boa gestão de recursos financeiros públicos.

Nesse primeiro dia do novo ano, que possam ser percebidas a necessidade de mudança na conduta pública e de responsabilidade no fazer gestão voltada aos interesses mais coletivos. O País vive a exaustão de um modelo que se espalha por todas as áreas inibindo o desenvolvimento mais consciente, ecológico e com base sólidas. O novo reivindica sair do lugar de roteiro conhecido e descobrir outros caminhos, principalmente quando esse lugar é referência de posturas viciadas e nocivas à sociedade e às instituições. Se afirma não ser mais admissível fazer política da forma como se vem fazendo, no entanto, essa mesmo política permanece intacta e forte ampliando redes de poderes paralelos que inibem as boas iniciativas na administração pública e no parlamento. Que 2017 seja o ano de romper com tais estruturas e sim crie a base de fazer o novo acontecer.