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Editorial

Desafios para um plano diretor da saúde

07/04/2017 às 22:35 - Atualizado em 07/04/2017 às 22:36
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No mês de maio será encerrado o ciclo de oficinas preparatórias à elaboração do Plano Diretor de Regionalização da Saúde no Amazonas. O tema embora tratado com acanhamento carrega importância fundamental para as populações do Amazonas que têm na saúde um dos pontos de maior precariedade e  por ele outros aspectos da vida humana são duramente atingidos.

A primeira versão do plano regionalizado da saúde no Amazonas deverá ser apresentada até novembro de acordo com informações oficiais da Secretaria Estadual da Saúde (Susam). Esse tempo de sete meses é espaço para que as diferentes instâncias de representação da sociedade possam requerer se ainda não o fizeram ou não foram convidadas a participação ativa na configuração da proposta.

Planos diretores no Amazonas ou mesmo isoladamente em Manaus trazem histórias tristes. São peças que em geral expressam a vontade do gestor da hora em combinação com suas bases de apoio no legislativo. O resultado é o não avanço das propostas boas, o aprofundamento da precarização dos serviços e dos espaços das cidades e da qualidade de vida de seus habitantes. Tradicionalmente, os ganhadores têm sido grupos particulares de interesses restritos que fazem comércio ilimitado dos espaços públicos.

Na gestão da saúde será necessário muito fôlego e disposição de participar para que o plano de regionalização a ser concebido tenha substâncias saudáveis. A outra etapa nesse processo será a do acompanhamento ferrenho das decisões políticas a serem tomadas sobre o documento a fim de que o plano não seja partidarizado e leiloado em função dos interesses de atores políticos com maior poder.

A maioria das populações do Amazonas sofre diariamente com a decadência do sistema de saúde, as generalizações feitas pelo sistema e a inibição de iniciativas locais que poderiam incentivar outras práticas de cuidados com a saúde já comprovadas como benéficas. Prevalece a noção de tratar isoladamente os adoecimentos e a contínua falta de profissionais médicos, agravada com o desmantelamento pelo Governo Federal do programa Mais Médico, de remédios e de espaços funcionando para atender a demanda.

A regionalização da saúde pressupõe leituras de realidades, elaboração de contextos e cenários e discussões que indiquem a construção de diálogos e de aproximações locais produtivas e fomentadoras de conexões com outros níveis.