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Editorial

Descaso com pedestres e cadeirantes

27/01/2018 às 15:49 - Atualizado em 27/01/2018 às 18:55
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As estimativas mais recentes dão conta de que há pelo menos 24,5 milhões de pessoas com deficiência no Brasil. Desses, muitos têm dificuldades de locomoção e precisam de cadeiras de rodas; são os cadeirantes. A despeito da limitação física, são pessoas como quaisquer outras, que precisam estudar, trabalhar, fazer compras, mas que são obrigadas a enfrentar todos os dias  muitos obstáculos, literalmente.

Numa cidade que não é pensada nem para os pedestres que gozam de plena capacidade de locomoção, os cadeirantes enfrentam dificuldades extremas. O descaso com essas pessoas em Manaus é atroz. É necessário fazer um planejamento urbano que leve em conta a situação de quem tem limitações de locomoção, uma ação de longo prazo que requer investimento para numerosas intervenções em todos os bairros e adaptações em muitos edifícios e equipamentos públicos.

Mas há outras atitudes mais simples que o poder público já pode tomar. Um deles é apenas prestar atenção, e ter cuidado para evitar absurdos como o que ilustra a capa desta edição. É inadmissível que um poste de iluminação pública seja instalado exatamente sobre a calçada, dificultando a passagem de pedestres e tornando impossível a passagem para quem usa cadeira de rodas.

Aquele é apenas um caso. A cidade está repleta de calçadas estreitas, mal conservadas e com obstáculos que, para algumas pessoas, são praticamente instransponíveis. Uma gestão socialmente responsável faria o mapeamento dessas ocorrências e corrigiria o problema, tornando menos difícil a vida das pessoas com deficiência que vivem em Manaus.

Uma outra atitude de grande impacto é muito mais complexa, pois tem a ver com a consciência dos moradores da capital. Infelizmente, em Manaus, muitas pessoas não veem o menor problema em avançar seus imóveis sobre as calçadas ou em fazer intervenções que causam desníveis ou criam obstáculos para os pedestres. Na Zona Leste, por exemplo, muitas calçadas foram “anexadas” por comerciantes, que as usam como parte de suas lojas, obrigando pedestres a se aventurar pelo meio da rua.

Manaus precisa de um choque de ordem e de conscientização também. A cidade que queremos precisa começar a ser construída por nós mesmos.