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Editorial

Descontinuidades democráticas

14/10/2017 às 15:07 - Atualizado em 14/10/2017 às 15:35
Show supremo tribunal federal stf

A história política do Brasil é marcada por golpes e reviravoltas  que impediram o exercício pleno da vida em democracia e assim os ciclos autoritários, vez por outra, veem nos aterrorizar na forma de ditaduras, arbítrio e falta de respeito ao estado de Direito, isso até mesmo em período como o atual em que as regras do jogos mudam rapidamente sem que tenhamos clareza dos rumos que devemos tomar.

E isso ocorre em todas as áreas da vida socio-pólitica do País e não por acaso o Supremo Tribunal Federal emite decisões que, por contraditórias, são difíceis de serem internalizadas pela população. Senão vejamos, o mesmo supremo permite o aborto de anencéfalos e o ensino de uma religião específica nas salas de aulas. Da mesma forma tira Eduardo Cunha do mandato sem autorização da Câmara Federal, mas deixa o senado livre para salvar Aécio Neves.

 Mas o supremo é apenas um sintoma da irregularidade, causada, sempre bom lembrar, pela descontinuidade democrática que não nos deixa exercitar essa vida de tolerância com as diversas correntes da vida nacional.

Esse problema é tão mais grave quando a administração pública vira a cada novo governo e hoje A CRÍTICA mostra quão danoso isso pode ser. Trata-se aqui da explosão dos casos de malária em todo o Brasil e no Amazonas em particular. São mais de 50 mil casos em nove meses, valor 53% superior ao registrado no ano passado. Tudo isso fruto da descontinuidade de ações que deveriam ser consideradas de Estado e não de governo ocasionais. Entender essas diferenças é o básico na democracia, posto que não podemos a cada troca de governo esquecer e abandonar o que o governo anterior fez.

Em outro exemplo temos a constatação de que governos anteriores deixou como herança para o atual 200 obras paralisadas por falta de quase R$ 500 milhões para fazê-las andar. Não é pouca coisa, sobretudo porque o governante atual já delimitou suas prioridades: segurança e saúde.

 Em sendo assim, podemos apostar que essas obras ficarão para as calendas de futuras administrações públicas e não é improvável que elas seja até esquecidas num canto qualquer virando espaços para a bandidagem ou proliferação de agentes epidemiológicos. Tudo isso é falta de democracia, não tenham dúvidas.