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Editorial

Descontrole emocional

26/12/2016 às 21:02
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O Código Brasileiro de Trânsito foi repaginado neste ano para tornar mais dura a vida dos infratores, que mesmo diante de multas mais graves e mais caras não se intimidam e seguem cometendo crimes de trânsito.

Neste final de semana de Natal, por exemplo, trinta e cinco motoristas foram pegos  dirigindo bebados, colocando a vida deles e dos demais em risco. De acordo com o Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM), o  número é 34,3% maior que o registrado no mesmo período do ano passado, quando 23 condutores foram pegos dirigindo embriagados nas operações da Lei Seca.

No caso mais emblemático dessa tragédia coletiva que atinge nossa cidade, um médico, prioritariamente alguém que respeita a vida e se esforça para salva-la quando em risco, chegou a agredir os agentes da fiscalização num caso de total irresponsabilidade. Sabendo que estava sem condições de dirigir e vendo a operação da Lei Seca montada na avenida do Turismo, este médico passou o volante para uma mulher jovem e sem habilitação para conduzir o veículo. Resultado foi uma bela multa e um péssimo exemplo para a sociedade.

O certo nisso tudo é que ainda precisamos avançar e tornar o código ainda mais rigoroso para  punir severamente, na mesma medida da irresponsabilidade do condutor, aqueles que insistem em desrespeitá-lo seguidamente. Não é possível mais convivermos com pessoas, condutores de veículos, que não têm cuidado com a própria vida e com a de seus concidadãos. É preciso punição forte.

Nos Estados Unidos, para tomarmos um exemplo externo, a punição para quem dirige sob efeito de bebida alcóolica ou substâncias químicas é duríssima, chega-se a cassar o direito do condutor de dirigir veículos para sempre. Na hipótese de recaída, ele vai em cana, cana dura e duradoura em uma unidade do sistema prisional.

No Brasil, contudo, em que pese as tentativas do legislador de endurecer o jogo, a punição ainda é mais pecuniária, com o infrator chamado a pagar uma multa pesada e voltar brevemente ao convício social nas ruas, onde costumam reincidir no erro.

As mortes no trânsito mostram que ainda precisamos avançar na questão e punir exemplarmente parece ser o caminho.